<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965</id><updated>2011-04-21T16:04:49.574-07:00</updated><title type='text'>O Homem do Porto</title><subtitle type='html'>O "Homem do Porto" é o que integra o conhecimento global que lhe chega do mar mas que tem dificuldade de passar esse saber para os processos de informação-decisão locais. Acaba por fazê-lo embarcando e trazendo a mudança a partir de além-mar.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>33</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-2555659701032082049</id><published>2008-12-30T10:42:00.001-08:00</published><updated>2008-12-30T10:42:19.908-08:00</updated><title type='text'>2009</title><content type='html'>2009 é um ano de esperança. Esperança que a crise financeira e económica internacional não precipite crises políticas e bélicas mais graves. Esperança que os caminhos que escolhemos durante a crise conduzam a uma sociedade mais eficiente, equitativa e sustentável do que aquela em que agora vivemos.&lt;br /&gt;Nesta perspectiva a esperança está fortemente associada à fé. Fé de que é possível fazer uma sociedade mais eficiente, equitativa e sustentável; onde os entendimentos, os gestos, os frutos e os sentimentos sejam mais consentâneos porque mais verdadeiros.&lt;br /&gt;E é assim que a esperança e a fé têm de ser necessariamente completadas pelo gesto. Gesto que, conforme nos foram ensinando e gradualmente fomos percebendo, é muito mais profícuo quando é feito para os outros, com multiplicação de frutos e partilha de sentimentos.&lt;br /&gt;Não há dúvida de que é bom olhar o ano que vem com o sopro do Natal. Natal em que adoramos a vida representada na Árvore de Natal, rejubilamos com a graça do Pai Natal e que, sobretudo, nos revolucionamos com o Encontro com o Menino Jesus. E essa revolução tem que ver necessariamente com os gestos que pensamos para o presente – futuro que é o ano de 2009.&lt;br /&gt;Vamos por partes. Temos que cuidar do corpo e da alma. Temos também que atender ao trabalho e à família. Finalmente convém atender a todos os outros. É verdade que tudo isto se complementa e completa; mas tal não impede alguma programação sistematizada de acções. Uma espécie de Plano de Actividades para 2009 que não só nos comprometa face aos outros e face a nós mesmos mas também sirva para a criação dos tais caminhos que nos conduzem a uma sociedade mais eficiente, equitativa e sustentável.&lt;br /&gt;Quanto ao corpo não é mau seguir o exemplo desses desportistas multifuncionais que os tempos actuais nos presenteiam. Bastam uns sapatos confortáveis e baratos “made in China” e todos os percursos passam a ser percorríveis para bem do corpo de também da alma. Há quem ande e corra parado em máquinas concebidas para países frios mas qualquer que seja o desporto o segredo é manter uma rotina e, de vez em quando, suscitar o desafio de uma competição amigável.&lt;br /&gt;No que se refere à alma temos de ir rapidamente comprar um terço para pôr no bolso e escolher uma missa agradável para ir ao domingo. No fundo temos que criar condições para dizermos “que bom que é estar aqui” na presença do Senhor, para ouvirmos e reflectirmos sobre a sua palavra. É pena que haja menos gente a ir à missa pois é uma oportunidade única de estarem com Nosso Senhor.&lt;br /&gt;Quanto ao trabalho parece mais eficiente criarmos metas e auto regularmos normas de conduta. Há vantagens óbvias. Primeiro passamos a definir grande parte do nosso próprio trabalho em vez de ser um chefe qualquer a tentar impô-lo. Segundo, aqueles que beneficiam do nosso esforço, e in extremis no pagam o nosso ordenado, passam a usufruir de um trabalho normal acrescido de uma montanha de dádiva personalizada.&lt;br /&gt;A família e os amigos “não são para aqui chamados”, poderiam dizer os mais correctos. Mas é também por causa dessas e de outras que a família e a amizade deixou de fazer parte dos pressupostos da intervenção pública sendo facilmente perturbada por sistemas sucedâneos de fraternidades mafiosas, por mecanismos propiciadores de “espécies invasoras” tais como os condomínios para encontros fortuitos ou apartamentos para expulsão de filhos e parentes; ou por sistemas regulamentares incitadores de divórcios, proteladores de casamentos e por aí fora. A solução é invadir os apartamentos minúsculos de parentes e amigos em todas as partes do mundo; equilibrar a relação entre mensagens de telemóveis e emails com os encontros pessoais; pôr a mesa e prolongar as refeições que permitem a conversa;… Tudo isto são coisas que os portugueses sabem fazer como ninguém mas há muitos estrangeirados e estrangeirismos impulsionadores das “fast families” que não dão tempo ao tempo bom.&lt;br /&gt;Finalmente, face aos outros, é fundamental ajustar o sistema de decisão política aos novos desafios e, sendo assim, ou o PS e o PSD mudam radicalmente ou então é bom que sejam substituídos por outra gente e por outro pensar. Pelo sim pelo não, o melhor é alterar os partidos do Bloco Central e ao mesmo tempo fomentar os que para aí estão a aparecer. É também essencial mandar parentes e fazer amigos em Angola, dar força ao Brasil na cena internacional, nutrir o crescimento de Timor, da Guiné, de Moçambique e São Tomé sem esquecer, a nossa presença crucial e histórica na América, na China, na Índia e na Europa.&lt;br /&gt;Se assim for, em Setembro de 2009 já vemos muita luz e muito caminho para percorrer. Pelo menos é isso que os cracks de economia me dizem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-2555659701032082049?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/2555659701032082049/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=2555659701032082049' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/2555659701032082049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/2555659701032082049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/12/2009.html' title='2009'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-141940718091482763</id><published>2008-12-30T10:40:00.000-08:00</published><updated>2008-12-30T10:41:32.635-08:00</updated><title type='text'>Jornalismo, Romance e Realidade</title><content type='html'>Passei há dias na União para pagar a assinatura do ano de 2009. Gostei de ver os meus antigos colegas e não deixei de registar o recado de fazer um artigo a dizer bem dos jornalistas e sobretudo a dizer bem do jornal onde trabalham.&lt;br /&gt;Não é difícil louvar o jornal a União. De facto está bem melhor do que quando o deixei, talvez porque quem escreve está mais liberto dos comentários do antigo “directório”, muito provavelmente porque há uma direcção mais efectiva; muitos parabéns! É com gosto que compro, por um ano, o acesso a um dos melhores jornais de Portugal, colocado todas as manhãs na minha caixa de correio. Muitos outros deveriam assinar os jornais dos Açores pois é a forma de tornar esses jornais melhores e sobretudo de os tornar menos dependentes das notas de imprensa emanadas pelas redacções de propaganda governamental.&lt;br /&gt;Um pouco mais difícil é dizer bem dos jornalistas. É verdade que tem uma capacidade apurada para escrever bem, nomeadamente agora que os computadores corrigem muitos erros. É também reconhecível a sua enorme capacidade para relatarem aquilo que as pessoas gostam de ler, embora por muitas vezes as testemunhas presenciais fiquem escandalizados com a diferença entre aquilo que viram e aquilo que vem relatado nos jornais. É igualmente fantástica a sua enorme capacidade de trabalho não só na forma como aturam e procuram as fontes mas também pela sabedoria e tecnicidade com que multiplicam texto.&lt;br /&gt;Talvez por isso é que os jornalistas mais afoitos decidem fazer romances e com um enorme sucesso. Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos batem em número de vendas muitos romancistas conhecidos e não precisam de muito mais do que alguma ousadia; aquilo que muitos apelidariam de um misto de falta de vergonha com algum talento. Depois será preciso um pouco de persistência no trabalho, mas cuja esperançosa efectividade se potencia nos bons contactos ganhos com o jornalismo. Finalmente basta uma boa história que glorifique os portugueses e denigra o Estado, com algumas páginas de informação adicional que não contradigam muito aquilo que já sabemos. Ajuda também uma ou duas páginas de sexo para que o livro seja transponível para o cinema. E, à boa moda jornalística, convém apresentar as coisas no domínio do politicamente correcto, “santificando” personagens e ignorando a Igreja.&lt;br /&gt;Espantei-me a mim próprio quando li as quinhentas páginas da “Fórmula de Deus” nos dias que se seguiram ao Natal. Primeiro, consegui ultrapassar o excesso de adjectivação com que José Rodrigues dos Santos gosta de imitar os ingleses e que nos fazem lembrar os velhos livros dos “cinco” e dos “sete” de Enid Blyton. (Francamente! qual é o português que adjectiva positivamente o tempo, a comida ou as pessoas? Para nós, que estamos habituados a bom tempo, boa comida e boas pessoas, só sabemos adjectivar negativamente e quando o fazemos raramente é por escrito). De seguida animei-me com a figura do herói português que ainda por cima tem o meu nome, trabalha na Universidade e aventura-se pelo Irão e pelo Tibet. Finalmente percorri com gosto a prova científica da existência de Deus que, conforme relata o autor, criou o Universo em seis dias só que contabilizados para uma massa enorme, para a qual um dia de então seriam muitos milhões de anos agora. E nesse pressuposto gostei de saber que todo o Universo é feito para a vida e para o Homem.&lt;br /&gt;Do que gostei menos, no final, foi de José Rodrigues dos Santos não querer cair na realidade de Deus, na sua encarnação em Jesus Cristo. Isto apesar de colocar nas últimas palavras do pai do herói que o que importa é o amor. No entanto também diz através do tal pai que o hinduísmo é que tem razão. Neste pormenor José é mesmo jornalista. E em vez de dizer o que acredita ser o real, prefere descrever o que a sua imaginária fonte lhe disse. Que pena!... Vendeu mais 100000 livros mas não revelou a verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-141940718091482763?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/141940718091482763/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=141940718091482763' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/141940718091482763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/141940718091482763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/12/jornalismo-romance-e-realidade.html' title='Jornalismo, Romance e Realidade'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-5644477822884954157</id><published>2008-12-16T02:06:00.002-08:00</published><updated>2008-12-16T02:07:06.534-08:00</updated><title type='text'>Oportunidades dos Açores na Crise Mundial</title><content type='html'>Sabemos que as crises são momentos únicos de oportunidade. É nas crises que pequenas decisões moldam grandes trajectórias que aumentam o espaço de liberdade de criar e de ser. No entanto essas trajectórias não são solitárias pois dependem e influenciam os percursos das pessoas com quem interagem. E como esta interacção é muito marcada pela geografia e pela história é salutar, para nós e para os outros, que nos preocupemos com as atitudes e os gestos dos açorianos neste momento ímpar de oportunidade.&lt;br /&gt;Já percebemos que a crise financeira e económica internacional tem a ver com a desadequação da regulação monetária face ao sistema financeiro possibilitado pelas novas tecnologias da informação. Já entendemos que o colapso entre o virtual financeiro e o real económico começou pela desvalorização efectiva do imobiliário precipitada pelo aumento do preço do petróleo e possibilitada por um urbanismo baseado no automóvel. Também desconfiamos que se está a verificar um encontro brusco entre o virtual ocidental e o real das novas economias emergentes na China e na Índia.&lt;br /&gt;Os impactos e as reacções à crise também começam a definir-se. Por um lado a oferta de petróleo aumentou e a procura diminuiu o que resultou numa redução do preço do petróleo para valores mais altos do que há dois anos mas mais razoáveis do que durante este ano. Por outro lado a redução abrupta da velocidade de circulação de moeda, provocada pelo crescimento da desconfiança entre agentes económicos, justificou o aumento da oferta de moeda conseguida quer pela nacionalização de bancos quer pela redução da taxa de juro dos bancos centrais.&lt;br /&gt;Também nos Açores os impactos se fazem sentir. A alteração rápida dos preços dos produtos e dos factores produtivos vai influenciar fortemente a competitividade dos nossos principais bens e serviços: o preço do leite está a baixar depois de ter crescido para níveis impensáveis um ano antes; a procura turística irá provavelmente reduzir-se apesar do custo do transporte poder vir a ter um custo um pouco mais barato dentro do espaço da regulação monopolística; os bancos estão muito preocupados com a segurança de todo o sistema financeiro; e a própria administração não sabe o que a espera face a tantas incertezas.&lt;br /&gt;Mas, como vos disse, é preciso aproveitar este momento único de oportunidade para reagir mudando a trajectória do desenvolvimento dos Açores. No caso dos lacticínios pode valer a pena para os actores públicos e privados da Região adquirirem as empresas da cadeia de valor que desde 1994 tem sido controlada por elementos alheios à Região: porque não adquirir essas empresas exactamente na altura onde o seu preço deve estar a preço de saldo? A única coisa que é preciso garantir é uma boa gestão mas isso também é um recurso que se adquire com facilidade. No caso do turismo vale certamente a pena liberalizar os transportes aéreos para São Miguel e para a Terceira e apostar na SATA como uma low cost a operar a partir do meio do Atlântico, entre a América e o Médio Oriente, entre a Europa e as Caraíbas e entre a África e os Estados Unidos. Quanto ao sistema financeiro não é impensável atrair para a Região os capitais certos de forma a substituir ou compensar a centralidade financeira da Suíça agora fortemente ameaçada pela quebra das bolsas internacionais onde os suíços teriam certamente muitas aplicações. Finalmente, no que respeita à administração regional, é fundamental reequacionar os investimentos em estradas que assumem que os açorianos vão adoptar a mobilidade urbana que os americanos tinham até ao momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-5644477822884954157?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/5644477822884954157/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=5644477822884954157' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/5644477822884954157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/5644477822884954157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/12/oportunidades-dos-aores-na-crise.html' title='Oportunidades dos Açores na Crise Mundial'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-7829336630670633309</id><published>2008-12-16T02:06:00.001-08:00</published><updated>2008-12-16T02:06:32.298-08:00</updated><title type='text'>O Estado Novo está instalado!</title><content type='html'>O Governo Regional dos Açores tomou posse por estes dias. Não há dúvida que há mudanças significativas mas essas alterações apenas confirmam, para o bem e para o mal, a forte resiliência da sociedade açoriana. Grosso modo as gentes que apoiaram e aproveitaram do consulado de Mota Amaral são as mesmas que apoiam e aproveitam do consulado de Carlos César. Pelo meio ficam as ideias consistentes que suportam modelos de desenvolvimento consequentes. Para trás fica a possibilidade de investimento no futuro já que a associação entre apoiantes e beneficiados anula qualquer sacrifício em favor de todos e dos que estão para vir. Confirma-se a mensagem de José Tomaz de Lampedusa no seu romance o Leopardo: “É preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma!”&lt;br /&gt;Em Lampedusa, o Príncipe de Salina é apresentado como um herói que colabora com o fluir dos tempos para que o seu poder se mantenha na mesma. No entanto, se olharmos para o deserdado Mezzogiorno Italiano, intuímos o custo enorme da traição conivente do príncipe e interrogamo-nos sobre as razões que justificam o fortalecimento da Mafia e do subdesenvolvimento do Sul de Itália. A hipótese que levanto, e que se aplica também a Portugal, é que os países definham quando as suas supostas elites não são capazes de ao mesmo tempo promover e confrontar o fluir dos tempos, preferindo adaptar-se a esses tempos pouco temperados, para que continuem a sobre-nadar numa paz mole.&lt;br /&gt;Se compararmos o consulado de Mota Amaral com o consulado de Carlos César as semelhanças são por demais evidentes. Há uma primeira fase de entusiasmo (1976/1986 para o PSD e 1996/2006 para o PS) com muita gente nova e diversa e com bons apoios do exterior. Há depois uma segunda fase de centralização com mais gente nova mas mais submissa e com menos suporte externo (1986/1996 para o PSD e 2006/201? para o PS). Até que o ciclo se esgota com o desânimo de uns tantos, se assiste à fuga do chefe tradicional e se constata morte súbita e precoce de uma geração de políticos repentinamente abandonados pelas elites mutantes. Pelo caminho ficaram algumas duas décadas de políticas desajustadas que os sistemas de poder centralizados rodeados de súbditos acabam por gerar na segunda fase dos respectivos consulados.&lt;br /&gt;Olhando para o novo Governo verificamos que por razões várias desapareceram os políticos verdadeiramente socialistas. Carlos Corvelo faleceu e com a sua morte terá desaparecido o mentor ideológico do regime. Duarte Ponte foi afastado e com esse afastamento acabou o operacional da criação da economia socialista nas ilhas. A simpatia de Carlos Corvelo alegrava-se mais quando manuseava modelos de avaliação de projectos que deixavam de lado as técnicas enraizadas no pensamento neo-clássico e apresentava com gosto o modelo input-output tão útil às economias de planeamento centralizado. Por outro lado, a boa disposição de Duarte Ponte, ficava mais activa quando se sentia qual “grande timoneiro” moldando os principais sectores da economia regional: os transportes e a energia.&lt;br /&gt;É verdade que considero que o modelo de desenvolvimento de Duarte Ponte e de Carlos Corvelo está profundamente errado e que tem trazido custos grandes à Região. Nomeadamente a não liberalização dos transportes aéreos e marítimos e a troca de direitos de exploração de recursos do mar e da terra por programas de apoio às despesas públicas regionais por parte da Europa. No entanto era um modelo coerente dentro da óptica socialista que defendiam. O que nos espera é o anti modelo ou, quando muito, o ajustamento tecnocrático dentro de um modelo socialista que nem se enxerga. No fundo um esquema que mantém as desigualdades sociais e não promove o desenvolvimento e o risco. O Estado Novo está instalado!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-7829336630670633309?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/7829336630670633309/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=7829336630670633309' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/7829336630670633309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/7829336630670633309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/12/o-estado-novo-est-instalado_16.html' title='O Estado Novo está instalado!'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-8839899313121773100</id><published>2008-12-16T02:03:00.002-08:00</published><updated>2008-12-16T02:04:18.194-08:00</updated><title type='text'>A Festa das Cigarras</title><content type='html'>Já demos por isso. Os eleitores açorianos são um bocadinho “maria vai com as outras”. Quando o PSD está no poder votam PSD até que o chefe se vá embora, não vá o diabo tecê-las. Quando o PS Governa o melhor é não levantar muitas ondas e manter as coisas como estão, também até o chefe se ir embora; “sabemos onde estamos, não sabemos para onde vamos”, é isso que expressam alguns com um ar meio esguio e matreiro de quem há muito tempo optou por ser discreto e umbilical em vez de ser inteligente e ousado como os que partiram para o outro lado do mar.&lt;br /&gt;No entanto nos Açores a terra e o mar também votam quando as gentes parecem ter esquecido de onde são, e preferem voar aos sons dos ventos de fora que trazem mais fortuna momentânea. Se a América dizia que era assim então para quê dizer o contrário. Se, agora, a Europa diz que é assado que remédio nos resta se não acatar o que dizem de Bruxelas e ainda pagam? O problema, ou a sorte, é que o mar e a terra não se calam sobretudo neste ponto particularmente sensível do Planeta.&lt;br /&gt;Em Angra do Heroísmo lembraram-se de que eram os maiores e os melhores a organizar e celebrar festas e festividades. E como havia um dinheirinho europeu de semente, vá de organizar mais festas e festivais com nome de cultura, fazer barulho à fartazana, acabar com o porto que justificou a cidade para fazer bares e restaurantes de anti-civilização, e descurar aquilo que é a base de qualquer cidade insular: o abastecimento de água e o porto que, desde há cinco séculos, iam estruturando o desenho urbano desta cidade que escolhemos para viver.&lt;br /&gt;Esqueceram-se, os seguidores da Cigarra, que a cidade começa nos cumes das Serras do Morião, do Pico Alto e de Santa Bárbara e termina nos termos das rotas que demandam Angra, do outro lado do mar. E, de repente, a água deixou de correr nos tubos e passou a faltar nos reservatórios. De, repente, a cidade ficou vazia porque quinhentos empregos foram mudando para o novo porto construído na Praia, ficando Angra como armazém para barcos de recreio. De repente – “virá que eu vi” – o governo subsidiado do exterior deixará de ter dinheiro para pagar os funcionários regionais da cidade que, in extremis, se transformará no Topo da Ilha Terceira, cheio de história e de ruína, sem água e sem porto, sem vocação e sem sentido. Aconteceu a outras cidades que foram importantes, nessas ilhas aí para fora – como dizia um sabedor micaelense. Sobretudo quando se esqueceram do saber da água que lhes dava raízes e do porto que lhes dava sentido. Tudo no meio de muita festa e de muita obra de fachada dos últimos dias.&lt;br /&gt;Mas as ilhas relativamente pequenas têm felizmente estes alertas ambientais, mesmo quando as gentes se esquecem das raízes que têm e do sentido para que foram criados. E é assim que quem se vai encarregar de derrotar o poder estabelecido não é uma oposição que pouco tem de diferente mas sim a falta de água, a degradação da paisagem, a degradação da cultura e a anulação do porto.&lt;br /&gt;Quando percebermos que não temos água porque deixámos fazer rebentamentos em pedreiras, porque não pagámos a alguns lavradores para produzirem água em vez de produzirem leite e carne, porque não cuidámos com o peso dos camiões das obras a pisar condutas, porque não tivemos coragem de controlar a procura através do preço, porque vivemos à conta das obras de outros tempos, porque chamámos um supostos peritos de fora para palrar na comunicação social, porque anunciámos restituições de verbas sem resolver o problemas. Quando percebermos isso tudo, dizia, nem teremos força para culpar alguém. A culpa é nossa – formigas discretas e umbilicais - que nos deixámos enredar na Festa das Cigarras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-8839899313121773100?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/8839899313121773100/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=8839899313121773100' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/8839899313121773100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/8839899313121773100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/12/festa-das-cigarras.html' title='A Festa das Cigarras'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-4398474916066636923</id><published>2008-12-16T02:03:00.001-08:00</published><updated>2008-12-16T02:03:29.220-08:00</updated><title type='text'>Transporte Aéreo - explorar conterrâneos ou competir com o mundo</title><content type='html'>A estratégia das empresas com concessões monopolistas no transporte aéreo em Portugal é explorar os portugueses com tarifas aéreas e taxas aeroportuárias significativamente mais elevadas do que as que se verificam em mercados concorrenciais. A estratégia das empresas similares em Espanha é competirem no mundo com tarifas e taxas baixas mesmo quando estas são sub-repticiamente apoiadas pelo estado espanhol. Na verdade, a comparação entre as tarifas aéreas e taxas aeroportuárias portuguesas e espanholas permite concluir que em Portugal são sistematicamente mais elevadas tornando as rotas espanholas efectivamente mais competitivas que as rotas que passam por Portugal. Isto para além de haver um custo extra para os residentes que queiram utilizar o transporte aéreo pois têm de suportar as ineficiências de gestão nos aeroportos e nas companhias aéreas monopolistas. Tudo isto porque os Governos da Região Autónoma dos Açores e de Portugal entendem que a política aérea se faz pela gestão de empresas, estatais ou privatizadas com antigos membros do governo, a quem se concedem monopólios e não pela regulação de mercados procurando assegurar a concorrência e a eficiência.&lt;br /&gt;Esta foi uma das lições que aprendi no workshop que decorreu no Instituto Superior Técnico na passada sexta-feira por iniciativa da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (APDR) e do Grupo de Transportes.&lt;br /&gt;Ainda sobre regulação consequente de companhias aéreas e de aeroportos o bom exemplo parece vir da Madeira onde se percebeu que não bastava a liberalização dos transportes aéreos mantendo as práticas monopolistas das empresas gestoras de aeroportos e se adoptou uma estratégia negocial com as empresas low-cost para que pudessem voar para aquele arquipélago reduzindo as tarifas aéreas e aumentando o fluxo de tráfego. Na verdade, como também pudemos perceber pelo testemunho dos madeirenses no workshop, de pouco serviu o aumento da pista conseguido por volta do ano 2000, pois o tráfego não aumenta pelo crescimento da pista mas sim pela redução das tarifas aéreas e taxas aeroportuárias.&lt;br /&gt;O workshop abordou outros temas como low costs, taxas e organização de aeroportos. O impacto das low-cost na alteração do mapa aeroportuário Europeu consubstancia-se na substituição dos voos charter por voos low-cost, na redução da sazonalidade turística e na potenciação das segundas residências no sul da Europa. Sobre taxas provou-se, como acima é dito, que as taxas aeroportuárias portuguesas são sempre mais caras que as espanholas e que isso é permitido pela intervenção activa dos governos que objectivamente nos exploram. Sobre a organização de aeroportos defendeu-se que não basta construir as pistas e as aerogares mas que é necessário atender às acessibilidades complementares, ao ordenamento estratégico, participado e flexível do espaço e, manifestamente, ao sistema de regulação dos aeroportos e das companhias aéreas.&lt;br /&gt;Neste sentido vale a pena reflectir se a rede de transportes aéreos deve ser desenhada centralmente, como até agora, ou pode resultar da iniciativa de cada cidade ou ilha na sua tentativa de se ligar ao exterior para promoção da sua competitividade e desenvolvimento. Uma coisa é certa: um Aeroporto na Região Centro não se justifica numa óptica nacional se forem criadas acessibilidades rodo - ferroviárias mas pode-se justificar numa óptica regional se os vários interessados em Coimbra, Figueira, Leiria, e Fátima assim quiserem investigar e, eventualmente, investir. Igualmente, o alargamento do aeroporto do Pico ou do Faial pode não fazer sentido na perspectiva do Governo de São Miguel mas fazer todo o sentido na estratégia de desenvolvimento turístico destas ilhas. Para isso o paradigma do planeamento centralizado tem de ser mudado para um sistema em que os aeroportos e as suas ilhas competem entre si para melhorar a eficiência de todos e o desenvolvimento das pessoas em todos os sítios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-4398474916066636923?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/4398474916066636923/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=4398474916066636923' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/4398474916066636923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/4398474916066636923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/12/transporte-areo-explorar-conterrneos-ou.html' title='Transporte Aéreo - explorar conterrâneos ou competir com o mundo'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-3767135751311465490</id><published>2008-12-16T02:01:00.000-08:00</published><updated>2008-12-16T02:02:23.532-08:00</updated><title type='text'>Até que os desvinculados se revoltem…</title><content type='html'>A situação económica em Portugal já era grave antes da crise económica e financeira internacional. No entanto, como o combate à crise está a passar pelo aumento dos gastos públicos para salvar bancos e governos, corremos o sério risco de não enfrentar as causas da crise portuguesa e da crise internacional e acabarmos por ficar bastante pior do que poderíamos vir a estar se a verdade fosse perscrutada e enfrentada.&lt;br /&gt;A crise económica portuguesa tem a ver com a falta de produtividade do Estado e com a incapacidade de muitos empresários competirem no mercado global da Europa, da América, da Índia e da China. A crise económica e financeira global é devida ao aumento do preço dos combustíveis que arruinou o sector imobiliário e o sector automóvel, com a crença na economia da sociedade de informação desligada do filtro criterioso e responsabilizável de cada pessoa, e com a falta de regulação coordenada dos preços dos bens e serviços, dos preços do capital e dos preços dos bens imobiliários.&lt;br /&gt;A resolução da crise internacional passa pela criação de cidades mais eficientes, interligadas e concentradas em cada pólo, como já estão a fazer os Holandeses com a ligação por metro entre as principais cidades, aliás como deveriam fazer em Los Angeles, Chicago, Luanda, Grande Lisboa ou Grande Porto, tornando o transporte público efectivamente concorrencial com o transporte privado. Passa também por uma nova regulação das finanças internacionais e certamente, por uma maior regulação interna a cada empresa, se necessário criando mercados internos que responsabilizem cada decisor.&lt;br /&gt;A resolução da crise em Portugal tem de acrescentar àquelas medidas as que têm a ver com a falta de produtividade do Estado e das empresas públicas e a incapacidade dos empresários portugueses em competirem nos mercados globais.&lt;br /&gt;A falta de produtividade do Estado está relacionada com a multidão de trabalhadores – exploradores que nos legaram trinta e tal anos de governos do Bloco Central. São os funcionários das empresas públicas e semi-públicas às quais foram concedidos monopólios como é o caso da TAP, da SATA, da EDP, da EDA e das muitas empresas municipais e nacionais que se foram criando para satisfazer as clientelas laranja e cor-de-rosa. São os funcionários públicos com vínculo laboral nomeadamente aqueles que tem mais capacidade de reivindicação como os profissionais da educação e da saúde. São, finalmente, os ex-políticos que vão recebendo as pensões vitalícias dos tempos de submissão que passaram por parlamentos e gabinetes. São trabalhadores – exploradores porque literalmente exploram todos os outros cidadãos. Na verdade não é nenhuma entidade capitalista que lucra com as concessões monopolísticas desajustadas; quem lucra com as concessões monopolistas são quase sempre os trabalhadores – exploradores que aí são vinculados: - são os funcionários vinculados da TAP, da SATA, da EDP, da EDA que impedem medidas de boa gestão ameaçando greves, são eles também que se opõem à reestruturação do sector e da empresa, são finalmente eles que pouco fazem para defender as centenas e milhares de tarefeiros que são facilmente despedidos embora possam produzir mais. São os funcionários vinculados das empresas municipais que dificultam uma melhor gestão da água, do saneamento básico e dos resíduos sólidos. São os muitos vinculados da função pública que impedem uma gestão eficiente da educação e da saúde ao mesmo tempo que não se importam com o desemprego dos muitos especialistas que ficam incapazes de exercer a sua profissão.&lt;br /&gt;O drama é que os trabalhadores – exploradores têm muitos votos. Até que os desvinculados se revoltem como já está a acontecer na Grécia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-3767135751311465490?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/3767135751311465490/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=3767135751311465490' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/3767135751311465490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/3767135751311465490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/12/at-que-os-desvinculados-se-revoltem.html' title='Até que os desvinculados se revoltem…'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-3200809119250060458</id><published>2008-12-16T02:00:00.000-08:00</published><updated>2008-12-16T02:01:11.823-08:00</updated><title type='text'>Árvore, Pai Natal e Menino Jesus</title><content type='html'>Portugal deixou de ser um país com liberdade de manifestação. Se calhar nunca o foi. No entanto, a maior parte das vezes a restrição à liberdade de manifestação não é explicitada por quem tem poder nem muito menos é orientada pela consciência de cada um. O que restringe a liberdade é o medo e é por medo de não ser politicamente correcto, ou pelo atávico pavor do ridículo, que muitos deixaram de fazer Presépio no Natal, outros deixaram até de apresentar o Pai Natal e só colocam a Árvore, e outros ainda já só colocam fitas e uns bonecos feios. Qualquer dia não se coloca nada pois o que existe passa a ser melhor do que uns bonecos feios que nada representam para os outros.&lt;br /&gt;Todavia, lá no fundo de quem tem o trabalho de colocar os bonecos, existe certamente essa sede inata de amor do Pai Natal que traz presentes e que fica presente; existe também, necessariamente, uma busca de mudança que nos é respondida pelo Menino Jesus; lá está, sem qualquer dúvida, a procura de encontro com a família que vem de longe ou que estando perto está longe. E é assim que parece mais interessante procurar aquilo que une a Árvore, o Pai Natal e o Menino Jesus do que procurar classificações que espartilham este tempo grande.&lt;br /&gt;A Árvore é o símbolo da terra e da vida que nos foi dada. As folhas permanentes das árvores que escolhemos para o Natal dão-nos a certeza de que a dormência de todas as outras formas de vida é passageira, até que o sol volte de novo a aquecer aquilo que era frio e ameaçava morte.&lt;br /&gt;O Pai Natal é traz-nos a certeza de que não é só a árvore que admiramos que recebe sol e renasce mas que também nós dependemos da graça que Deus nos dá de presente. Na verdade é cada vez menos credível pensar que a Terra vive só da energia que recebe do sol sem que nesse sistema não entre o Homem e a sua criatividade sempre reactivada pelo presente da Graça do Pai. Não há grandes dúvidas de que o Pai Natal nos traz presentes todos os dias.&lt;br /&gt;O Menino Jesus é um milagre e um enorme desafio. É a Verdade que encarna desafiando todos nós a sermos com Ele. O problema é que não é possível desligar a vinda do Menino com a revolução interior que nos é pedida, todos os momentos, na consciência de cada um. A maior parte das vezes distraímo-nos, umas vezes com o Pai Natal do Antigo Testamento que assumimos como moralista e justiceiro. Outras vezes com o encanto das Árvores que nos rodeiam. Tantas vezes na amargura de quem tem receio de pedir porque tem medo das mudanças que tal pedido possa trazer. O que é certo é que o nascimento do Menino Jesus trouxe desde logo a reacção dos poderosos, desde a matança dos inocentes à morte de Jesus, desde o alheamento de Pilatos ao pavor dos discípulos.&lt;br /&gt;No entanto Ele continua no meio de nós, a querer que cada atitude e gesto nosso seja criador do Reino de Deus e não adulterador dos talentos que nos foram dados. O segredo parece estar na oração, que nos permite rever e gozar a Árvore que temos de volta, que nos dá a graça, a protecção e o perdão do Pai e que nos dá a força do gesto de amor e de encontro com o Menino Jesus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-3200809119250060458?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/3200809119250060458/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=3200809119250060458' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/3200809119250060458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/3200809119250060458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/12/rvore-pai-natal-e-menino-jesus.html' title='Árvore, Pai Natal e Menino Jesus'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-4233779030262363035</id><published>2008-11-06T09:41:00.000-08:00</published><updated>2008-11-06T09:42:06.864-08:00</updated><title type='text'>Yes, We Can!?</title><content type='html'>O slogan é dúbio. Por um lado responsabiliza cada pessoa na criação de um mundo melhor deixando para trás as desculpas esfarrapadas de que a culpa é do Sistema, do Estado, dos chefes, dos ricos, dos criminosos, dos terroristas, da China, da América, ou do que quer que seja. Por outro lado dá o tom fascizante e demagógico que preocupa o mundo face a este “We” Americano. De alguma forma este “We Can!” confunde-se com o preocupante e conciso discurso de Mussolini no qual só disse: “Nós!”. Por tudo isto seria bem melhor que o “We” se tranformasse em “You”, já que, pelo menos neste “You” todos os americamos e não americanos se sentiriam incluídos e responsabilizados em abordar os problemas que afectam o mundo sem criar outros mais graves.&lt;br /&gt;A marca das administrações democrata americanas no mundo não é das melhores. As intervenções das administrações democratas na antiga África Portuguesa não só deram um cunho inusitado de terror quando Holden Roberto, apoiado por John Kennedy, fomentou os massacres no Norte de Angola, que junto novos ódios aos que já existiam, mas também assumiram a hipocrisia de apoiar os dois lados da guerra colonial para que, ao mesmo tempo, mantivessem a Base das Lajes e garantissem um novo posicionamento em África. O posicionamento face a Cuba cristalizou a esquerda na América Latina e colocou-a à mercê do expansionismo soviético, tendo potenciado o crescimento de guerrilhas tipo FARC na Bolívia e a criação de regimes do tipo de Hugo Chavez na Venezuela, de Evo Morales na Bolívia e, anteriormente, de Daniel Ortega na Nicarágua. Isto para já não falar dos desastres no Vietnam no tempo de Johnson, na Somália na era de Clinton, ou do Irão quando Carter esteve no poder. Finalmente, as utopias americanizadas, têm mais efeito no mundo quando propagandeadas por democratas e por isso são mais perturbadoras.&lt;br /&gt;Mas estas, dir-me-ão, são desconfianças de um “portuga” que não se alegra com a esperança de mudança num país hegemónico e influente como os Estados Unidos. País de onde tem vindo a inovação tecnológica, a inovação política, a ciência e alguma arte. Aceito a ingenuidade magnífica da esperança só e só se fizer parte do projecto, se e só se o “nós” me incluir ou então, se o “nós” for substituído por um um “vós”.&lt;br /&gt;E nesse caso proponho-me com Barack Obama para resolver os problemas que afectam o mundo.&lt;br /&gt;- Quero transformar a Base das Lajes de uma arma de guerra que de facto é, numa arma de paz, com low costs a fazerem escalas e voos entre as muitas cidades americanas e os destinos de turismo e de negócio no Médio Oriente, em África e, a partir da Europa, na América do Sul.&lt;br /&gt;- Quero concentrar as cidades americanas de forma a que os seus residentes passem a deslocar-se 30 quilómetros por dia como na Europa em vez de 80 quilómetros por dias como agora acontece nos Estados Unidos, gerando problemas gravíssimos no aquecimento global e na desvalorização das habitações.&lt;br /&gt;- Quero que os recursos naturais sejam pagos nos locais onde existem sejam eles a biodiversidade da floresta tropical da amazónia, o petróleo do Médio Oriente, os recursos humanos da China e da Índia, ou os recursos marinhos dos Açores e do Hawai.&lt;br /&gt;- Quero que ultrapassem a política de muros que construíram na Alemanha, na Coreia, no Vietnam, que estão a construir em Israel e que queriam construir entre o Norte e o Sul de Portugal, o Norte e o Sul de Angola, o Norte e o Sul de Moçambique, o Leste e o Extremo Leste de Timor, a Base e Santa Rita na Ilha Terceira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-4233779030262363035?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/4233779030262363035/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=4233779030262363035' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/4233779030262363035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/4233779030262363035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/11/yes-we-can.html' title='Yes, We Can!?'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-3364772153986407469</id><published>2008-10-30T04:02:00.000-07:00</published><updated>2008-10-30T04:03:09.272-07:00</updated><title type='text'>Tiago</title><content type='html'>A visita estava feita. Espantados pela riqueza da Igreja de São Francisco, aquietados pela grandeza equilibrada da catedral, escandalizados com o arrasamento laicista da Sé, inebriados pela musicalidade surpreendente da Missa em Nossa Senhora do Rosário dos Negros e estarrecidos com a dimensão da cidade do século XVIII (que nos pareceu maior que Lisboa da altura), encaminhamo-nos com o cansado, despreocupado e saciado gozo turístico para o Elevador Lacerda, que liga a Cidade Alta à Cidade Baixa da cidade de Salvador da Baía de Todos os Santos, para pegarmos o carro alugado que ali tínhamos estacionado duas ou três horas atrás.&lt;br /&gt;De repente sinto um pequeno encontrão, ouço um grito e vejo um miúdo a fugir. O pensamento é rápido nestas situações. Entre ficar no local para onde convergiram as pessoas ou correr atrás do ladrão. Optei por pedir para guardar o pequeno saco que tinha comigo e correr atrás do atacante. Durou pouco tempo a corrida apesar de me espantar a mim próprio pelo avanço que estava a conseguir ter face a um miúdo certamente apavorado. De facto, ao virar-me para trás para me assegurar que estava tudo a correr bem no local do crime, estatelei-me ao comprido na calçada e embora retomasse a perseguição fui rapidamente secundado e substituído por três ou quatro polícias que naqueles poucos segundos conseguiram reagir. Tivesse o mesmo acontecido em Portugal e pediriam para prestar declarações na esquadra mais próxima ou pura e simplesmente teriam dito que não estavam ali para isso mas para defender uma qualquer entrada de banco ou repartição.&lt;br /&gt;A verdade é que nem tivemos tempo de ir embora uma vez certificados que não tinham conseguido levar nada. Em dois ou três minutos fomos informados que o miúdo tinha sido agarrado um quarteirão abaixo por outros polícias, que vindos do outro lado, conseguiram cercar o assaltante. Um estalo forte de um polícia escandalizou-nos mas uma faca grande encontrada no bolso e a necessidade de não desautorizar o fantástico trabalho policial acabou por determinar a nossa queixa junto da esquadra.&lt;br /&gt;Mas a partir daqui tudo muda. O miúdo tem menos de quinze anos e é por isso que é utilizado pela máfia local para roubar os turistas. E porque é miúdo é logo acompanhado pelo irmão um ano mais velho que num gesto estupendo se entrega para o acompanhar declarando que estava de “olheiro” e que, portanto, também estava a participar no roubo. É a décima vez que o Tiago é apanhado e provavelmente continuará a sê-lo, a magoar pessoas e a magoar-se a ele próprio. Vivem com a mãe que trabalha como empregada doméstica e que é boa pessoa segundo a polícia. Mas o aliciamento das pequenas máfias que vemos retratadas no filme “A Cidade de Deus” acaba por afunilar o percurso destas crianças.&lt;br /&gt;Que fazer? Tirei o terço do bolso e dei-o ao Tiago mas o meu espaço de manobra era também limitado e afunilado naquele contexto. Aliás, é naquele contexto que sentimos que o nosso espaço é muito limitado sem a intervenção de Nosso Senhor. É limitado para nós turistas e é limitado para os meninos de rua. Aquele chama-se Tiago e passou a ter nome. A esperança é que venha a ser São Tiago. O que sabemos é que, de acordo com o que vamos aprendendo, está mais perto de o ser do que nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-3364772153986407469?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/3364772153986407469/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=3364772153986407469' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/3364772153986407469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/3364772153986407469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/10/tiago.html' title='Tiago'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-248315660794961847</id><published>2008-10-15T03:52:00.001-07:00</published><updated>2008-10-15T03:52:51.713-07:00</updated><title type='text'>Paul Krugman e a Crise Finaceira</title><content type='html'>Paul Krugman da Universidade de Princeton nos Estados Unidos ganhou o Prémio Nobel da Economia 2008, pela sua análise nos padrões de troca entre regiões e pelo sue estudo sobre a localização das actividades económicas. Na verdade trata-se de um reconhecimento pela teoria económica da importância do espaço que há muito vinha a ser levantada pelos especialistas em economia regional e geografia económica. Trata-se também de um desafio a estes últimos investigadores para integrarem mais nas suas análises os métodos e conceitos do espaço estilizado proposto por Krugman. O que o Nobel vem provar, contrariamente ao que era genericamente aceite pela teoria neoclássica do desenvolvimento, é que há razões que a geografia conhece para haver centros mais desenvolvidos e inovadores que atraem pessoas e meios, e periferias menos desenvolvidas e mais conservadoras que exportam pessoas e meios.&lt;br /&gt;Como ligar esta atribuição do Prémio Nobel da Economia com a crise internacional que estamos a observar e a começar a sentir mais perto? Para responder a esta pergunta vamos primeiro tentar explicitar o que sabemos da crise para depois interpretá-la aos olhos dos dizeres de Paul Krugman e, eventualmente, explicitar alguma questão que não tenha sido explicitado pelo Nobel mas que nos apareça como agora como fundamental face aos acontecimentos financeiros recentes.&lt;br /&gt;O que sabemos da crise financeira é que se verificou uma forte quebra de confiança no sistema financeiro que foi motivada por três causas fundamentais: i) Primeiro, a desvalorização efectiva de grande parte do imobiliário em virtude do aumento do preço do combustível ter desvalorizado as casas à medida que se afastam dos centros de comércio e de emprego. ii) Segundo, a perda real de competitividade do mundo ocidental face à China e à Índia o que faz associar esta crise à que existiu nos finais do século XIX quando foi necessário fazer um ajustamento brusco porque, nessa altura, a competitividade dos Estados Unidos já há algum tempo tinha suplantado a da Europa; iii) Terceiro, a incapacidade dos instrumentos de regulação dos mercados financeiros terem acompanhado a evolução destes que foi suportada pela rápida evolução das tecnologias da informação.&lt;br /&gt;Há uns saudosos da intervenção do Estado, do proteccionismo, das empresas públicas e das oligarquias de funcionários, políticos, clientes e dependentes, que julgam que este é o momento para voltar para trás ou que, no caso de Portugal e dos Açores, é a altura para não seguir o que outros já assumiram há anos. No entanto estão enganados pois grande parte da falta de competitividade no ocidente e de Portugal que justificou a crise é devida à ineficiência do Estado e à falta de informação fidedigna sobre a eficiência das grandes empresas cotadas nas Bolsas. E para isso há que dar eficiência à provisão de bens e serviços públicos independentemente da escolha dos cidadãos por mais ou menos bens e serviços públicos, e há que melhorar a informação sobre a eficiência efectiva das empresas o que é muito difícil sem considerar a escala humana da proximidade e do saber, muito para além das chamadas tecnologias da informação que são potenciadoras de mentiras se não tiverem o filtro humano da proximidade e do saber. É neste aspecto que Krugman tem razão e não a tem. É que a proximidade física do anonimato das grandes cidades não tem nada a ver com a proximidade física da interacção entre pessoas que confiam umas nas outras, que manifestamente é mais difícil de encontrar nas grandes cidades. A menos que nas periferias se opte pela mentira como vem sendo hábito nos Açores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-248315660794961847?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/248315660794961847/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=248315660794961847' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/248315660794961847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/248315660794961847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/10/paul-krugman-e-crise-finaceira.html' title='Paul Krugman e a Crise Finaceira'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-2570254561106227364</id><published>2008-10-10T16:04:00.001-07:00</published><updated>2008-10-10T16:04:41.361-07:00</updated><title type='text'>Visigodos</title><content type='html'>Como é costume todos os anos, estou a passar uns dias de férias no Algarve. Dizem-me que é um desperdício deixar os Açores nesta altura de verão mas também é a única forma de me encontrar com a minha família continental de passagem para o congresso anual da European Regional Science Association onde costumo participar e que este ano se realiza em Liverpool, um sítio fácil de alcançar quer de Lisboa quer de Faro através dos voos baratos e eficazes da EasyJet.&lt;br /&gt;No Algarve a vida passa entre as conversas e os banhos de praia, as conversas e sopas das refeições, mais uma ou outra caminhada que os areais do sul permitem, e um livro ocasional que alguém trouxe para tresler. Nas conversas deixou de haver espaço para a política já que a esperança está cada vez mais numa mudança repentina de regime; uma espécie de revolução que mude o rumo das coisas. Nas refeições ainda há acesso a peixe mas quase todo vem de longe pois as políticas de quotas europeias e a delapidação dos stocks pelos barcos espanhóis eliminou a linha do horizonte iluminado de pequenos barcos de pesca a que costumávamos chamar a “Auto-estrada de Marrocos”. Os banhos são um desconsolo para quem vem dos Açores com a água muito mais fria e muito menos transparente. Resta-nos assim o livro para vos contar.&lt;br /&gt;Este é sobre a “Aventura dos Godos” de Juan António Cebrián, que procura na história daquele povo bárbaro a razão de uma certa hispanidade que eles como os de agora tiveram e têm dificuldade de conseguir. Todos nós pouco mais sabíamos que os Visigodos chegaram à Península um pouco depois dos Alanos, Vândalos e Suevos no princípio do século V e que passado alguns séculos conseguiram criar um reino peninsular que, no entanto, pouco tempo durou antes de ser derrotado pelos árabes no século VIII. Também sabíamos que eram de religião ariana e que só no fim da sua presença se converteram ao catolicismo.&lt;br /&gt;O que foi para mim novidade foi que os visigodos eram pouco mais de 200000 quando a Península tinha cerca de sete milhões de hispano-romanos de religião católica. O que é novo para mim é que estas tribos estavam proibidas de se misturar com a população hispano-romana até ao princípio do século VII e que tiveram muita dificuldade em controlar o actual País Basco, a Cantábria, a Galiza e a Andaluzia. O que é marcante é que a maior parte dos reis desta gente morreu por assassinato e que se tratava de uma monarquia electiva como foi mais tarde retomado em Portugal onde o rei tinha que ser aclamado pelas Cortes. O que me contaram no livro foi de facto o processo de destruição do Império Romano e a longa criação de novos Estados da Europa com as fronteiras e nacionalidades que se mantém até agora. O que também percebi é que a criação dessas nacionalidades é impossível sem o papel da Igreja Católica que estimulou a unificação entre a minoria aguerrida bárbara e ariana e a maioria romanizada e católica. O que vemos é que a divisão da Península no tempo dos Romanos e Visigodos foi marcada pela distância ao Mediterrâneo cabendo alguma unidade às civilizações do Tejo e do Guadiana com capital em Mérida. No entanto a divisão da Península a partir da reconquista cristã é marcada pela distância ao Atlântico que passa a ser o “rio maior” e determinante. E nesse “rio maior” os Açores são a âncora essencial que desilude a sempre efémera unidade hispânica; mesmo no tempo dos visigodos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-2570254561106227364?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/2570254561106227364/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=2570254561106227364' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/2570254561106227364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/2570254561106227364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/10/visigodos.html' title='Visigodos'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-1893089818169410198</id><published>2008-10-10T16:01:00.000-07:00</published><updated>2008-10-10T16:02:15.359-07:00</updated><title type='text'>Reféns de partidos sem qualidade</title><content type='html'>A Deolinda Estêvão do PPM diz que a "Terceira está a passar pela maior crise de identidade e de afirmação". O Artur Lima do CDS-PP afirma que a "Terceira não é prioridade para os socialistas". Victor Silva da CDU reafirma que "A Terceira não tem sido tratada como merece". Carlos Costa Neves do PSD diz que a "Ilha Terceira desconsiderada pelo actual poder socialista". Um pouco mais indirecto Paulo Mendes do BE contrapõe que "O governo confunde desenvolvimento com turismo” mas se tivermos presente que o turismo tem crescido em São Miguel e que o desenvolvimento não está a ocorrer nas ilhas, a ideia do Bloco é semelhante à dos outros partidos. Para rematar esta atitude pedincha e lamurienta proposta aos Terceirenses pelos vários partidos lá vem a proposta pedincha e lamurienta de Carlos César face ao Continente solicitando a”cumplicidade e apoio” do país à autonomia. A única diferença vem do PDA que exige a transferência para as Ilhas das competências que muito provavelmente se exercerão melhor aqui como é o caso da justiça. A dúvida que tenho é se casos graves de justiça não seriam enviesados por interesses locais já que, sintomaticamente, casos chocantes como a pedofilia ou a droga são sempre denunciados gente de fora e encobertos por quem está próximo.&lt;br /&gt;O único partido que parece ter uma razão humilde, é o Paulo Jorge do MPT quando afirma que os "Açorianos estão reféns de partidos sem qualidade". Já me dizia o António Sousa da RDP há anos, que os açorianos são pessoas muito sérias mas os governos, e portanto os políticos, são a brincar. De facto não faz sentido a choraminguisse e a lamúria quando todos sabemos que o desenvolvimento está associado muito mais à produtividade do que ao consumo de bens transferidos pelo Estado com o nosso dinheiro e com o dinheiro dos outros. Mais, todos sabemos que o dinheiro que os outros transferem para benefício de pouco na Região foi-nos roubado a todos em capacidade produtiva da terra, do mar e da posição logística vendida aos outros pelos governos regional e da república. Reféns de partidos sem qualidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-1893089818169410198?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/1893089818169410198/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=1893089818169410198' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/1893089818169410198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/1893089818169410198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/10/refns-de-partidos-sem-qualidade.html' title='Reféns de partidos sem qualidade'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-587647164817262977</id><published>2008-10-10T15:59:00.001-07:00</published><updated>2008-10-10T15:59:58.918-07:00</updated><title type='text'>A Força da Água</title><content type='html'>O Partido Socialista está a perder votos todos os dias na Ilha Terceira devido aos cortes sucessivos no abastecimento de água que denunciam a inadequação da política seguida ao longo dos último anos quer de âmbito municipal quer de âmbito regional. Nas outras áreas da governação os sucessos também não são por aí além pelo menos para esta ilha do meio e é por isso que toda a gente começa a hesitar entre a abstenção e um voto num partido que tenha tido menos responsabilidades governamentais. A verdade é que há muitos para escolher e desta vez os votos nos partidos mais pequenos não são perdidos por virtude da existência do círculo regional.&lt;br /&gt;Na verdade, se os povos fossem racionais votariam contra o Partido Socialista na Ilha Terceira e contra o George Bush na América. Os primeiros forçam artificialmente a centralidade de São Miguel por intermédio das empresas monopolistas que controlam nomeadamente a SATA e a EDA e, ainda por cima, enchem as ilhas de obras inúteis deixando para segundo plano aquelas que deveriam ser feitas como acontece com o essencial abastecimento de água. Os segundos levam cinco anos a perceber um pouco melhor a forma de encarar a guerra no Iraque e ainda não entenderam que a raiz da crise americana está na desvalorização efectiva de muitas casas por virtude do aumento galopante do custo de transportes em cidades muito espraiadas onde é difícil introduzir transportes públicos. De facto enquanto que um americano médio anda 70 quilómetros por dia um europeu anda menos de metade desse valor. E como o custo dessa distância duplicou muitas das casas americanas situadas mais longe do centro deixaram de ser vendáveis e perderam um valor irrecuperável.&lt;br /&gt;Esta é a vantagem substancial das crises. Da crise da água na ilha Terceira e da crise da habitação nos Estados Unidos. A primeira obriga a pensarmos sobre as nossas decisões colectivas e a deixarmo-nos embasbacar menos por obras de fachada que ficam sempre bem nas maquetas. A segunda obriga os americanos a repensar o modelo de desenvolvimento das cidades que tentaram impor como o “American Way of Life”. As Torres Gémeas mostraram as suas limitações em termos de segurança. A cidade de Nova Orleãs mostrou o desastre da gestão de toda a bacia do Rio Mississipi para além da falta de gestão urbana. E o colapso do mercado habitacional avisa-nos para o erro fatal das cidades baseadas no automóvel e nos guetos e condomínios de subúrbio.&lt;br /&gt;O estranho é que, tanto nos Açores como nos Estados Unidos a maior parte dos Universitários tende a pensar como o poder ficando implicitamente co-responsabilizado com os desastres que vão ocorrendo. Na Terceira terão feito os estudos de impacto ambiental disto e daquilo mas nunca vi apresentarem alternativas às soluções únicas trazidas pela falta de criatividade política. Na América, para meu espanto, num Congresso a que fui sobre urbanismos em Julho deste ano, nunca levantaram a hipótese de que a crise que têm em mãos esteja associada ao desenho das cidades. Parece que a dependência universitária dos fundos públicos está a toldar as mentes e a condicionar o espaço de liberdade que a ciência exige. Só nos resta o povo para criar a mudança inesperada pelo voto. Ou então a força da água e do custo de energia que deixa as pessoas sujas e as casas sem valor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-587647164817262977?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/587647164817262977/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=587647164817262977' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/587647164817262977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/587647164817262977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/10/fora-da-gua.html' title='A Força da Água'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-7898766903272916184</id><published>2008-06-18T04:10:00.001-07:00</published><updated>2008-06-18T04:13:54.443-07:00</updated><title type='text'>Contra a Autoridade! Liderar, liderar,...</title><content type='html'>De 2 a 6 de Junho decorreu no Hotel Terceira Mar em Angra do Heroísmo um curso denominado “Liderança para o Século 21” promovido pela Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento com o subsídio inevitável do Governo Regional dos Açores e o pagamento de propinas por parte dos alunos. A entidade responsável pelo curso foi a Harvard Kennedy School tendo como docentes os professores Maxime Fern, da Austrália, Hugh O’Doherty, da Irlanda do Norte e Marty Linsky, dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;Os cinquenta participantes foram escolhidos de entre duzentos e tal candidatos. Em termos geográficos vinte vieram de Lisboa, onze da Terceira, nove de São Miguel, quatro do Porto, e três de outras regiões do país. Trinta e um vieram de entidades privadas, sete de universidades, sete do Estado e dois de outras instituições. As idades variavam entre vinte e poucos e cinquenta e muitos, e havia cerca de um terço de senhoras para dois terços de homens. Alguém questionou sobre o critério de selecção mas o importante foi encontrar uma representação criativa da população portuguesa naturalmente um pouco enviesada para os locais em que o curso estava mais acessível.&lt;br /&gt;O curso foi um choque permanente. Primeiro, com a leitura do livro “Leadership on the Line” percebemos que liderança tem mais a ver com o testemunho de São João Baptista do que com a autoridade de Herodes, muito mais a ver com aqueles que arriscam para mudar o mundo e as organizações, do que com aqueles que procuram manter as coisas quando estão em cargos mais ou menos proeminentes. Segundo, ao longo do curso, fomos entendendo à custa de todos que tínhamos mais a aprender com os nossos próprios erros, nas tentativas de mudarmos os grupos com quem interagirmos, do que com a emissão e recepção de slides e discursos. Terceiro, depois de voltarmos aos nossos sítios, registámos a dificuldade de começar a implementar os processos de liderança e risco capazes de mudarem o mundo para melhor.&lt;br /&gt;Mas o que é que nos impede de mudar o mundo, se é para melhor? O problema é que, embora as pessoas e as instituições não sejam contra a mudança, são naturalmente contra as perdas que as mudanças sempre criam. E por isso tratam de anular as atitudes de liderança adaptativa através da marginalização, da diversão, do ataque e da sedução. É o caso sintomático da liberalização dos transportes aéreos para São Miguel e para a Terceira onde uns tantos, que temem perder benefícios e poder, procuram marginalizar quem defende a mudança da regulação, buscam divergir para assuntos paralelos como declarações de princípios de características totalitárias, atacam com ironia quem sugere o estudo de soluções de regulação alternativas, e seduzem com sabedoria aqueles que teriam mais fundamentos para defender a liberalização.&lt;br /&gt;Face a tanta adversidade por parte de quem exerce autoridade como é possível provocar a mudança necessária através de uma liderança adaptativa? A técnica que os docentes de Harvard propuseram ajuda-nos a perceber um pouco porque razão os sistemas humanos resistem às mudanças; mas também nos indicam a forma de ultrapassar essas restrições. Por um lado há que definir como de costume os problemas, os objectivos e as acções – como nos ensina qualquer manual de desenho de projectos. Por outro lado, e mais importante, é fundamental explicitar os objectivos velados que nos impedem de avançar com as acções necessárias, e perscrutar os riscos que corremos se as acções forem de facto avante. No caso dos transportes aéreos o problema é a falta de acessibilidade das ilhas, o objectivo é a garantia dessa acessibilidade a preços comportáveis e a acção seria liberalização dos transportes para São Miguel e terceira em vez da concessão de monopólios de serviço público. No entanto, se formos perspicazes, percebemos que o objectivo subjacente à não liberalização é evitar a falta de competitividade de companhias de bandeira e resistir à transferência da plataforma de distribuição regional de São Miguel para a Terceira ou para o Faial. A solução revolucionária que nos apontaram resume-se à máxima, se possível cantada, “contra a autoridade, liderar! liderar!.. com desígnio e persistência”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-7898766903272916184?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/7898766903272916184/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=7898766903272916184' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/7898766903272916184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/7898766903272916184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/06/contra-autoridade-liderar-liderar.html' title='Contra a Autoridade! Liderar, liderar,...'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-6093315772142050917</id><published>2008-06-18T04:10:00.000-07:00</published><updated>2008-06-18T04:11:32.438-07:00</updated><title type='text'>Grande Irlanda</title><content type='html'>Talvez pouco saibam mas a Europa que hoje temos deve-se em grande parte aos Monges Irlandeses que durante as invasões bárbaras foram capazes de guardar e depois expandir a sabedoria da civilização cristã terrivelmente ameaçada pelo colapso do Império Romano. É bom lembrar isso pois será porventura o Não irlandês, que agora deixa perplexos muitos políticos europeístas, a garantia para que a União Europeia continue a ser uma instituição fazedora de paz em vez de guerra, uma entidade que se sustenta e se apoia na soberania de muitos povos e não da efémera e terrífica vertigem filipina, napoleónica, nazi, estalinista ou titista de má memória.&lt;br /&gt;Ainda bem que a Irlanda tem referendo porque se isso não acontecesse a Constituição Europeia passaria sem qualquer voto popular. Fizessem o referendo em Portugal, Inglaterra, França, Holanda, Polónia, República Checa e Dinamarca e muito provavelmente o não venceria. Quer isto dizer que todos estes povos são estúpidos e não percebem o que é a construção europeia? Certamente que não a menos que o desígnio dos políticos europeístas seja serem cabos, sargentos e praças de um novo imperador. O que quer dizer, tão simples quanto isto, é que a Constituição Europeia tem mais contras do que prós e que os políticos, europeístas e não europeístas, não foram capazes de retirar os contras e de manterem os prós.&lt;br /&gt;Muita gente apoiará a vocação europeia na construção da paz, mas ninguém está interessado em que essa paz seja feita à conta de uma confronto militar face aos Estados Unidos, à Rússia e ao Islão. Toda a gente estará de acordo em que o processo de decisão na Europa deve ser agilizado, mas poucos concordam em que a Europa tenha competência que não sabe nem consegue gerir bem como é o caso manifesto da gestão da biodiversidade marítima. Toda a gente acha bem a liberdade de circulação de pessoas, de capital e de bens dentro da Europa mas muitos acham mal que isso implique a redução das ligações entre os países europeus e os países do mundo que partilham da mesma língua e que sofrem com o proteccionismo europeu.&lt;br /&gt;Mas o que mais me aborrece e confunde no projecto de Constituição Europeia é ele ter o nome do Tratado de Lisboa. A ideia de Europa que aí se defende é uma Europa fortaleza onde a única função da fronteira é a de ter militares e faroleiros subsidiados e políticos e eleitores vendidos para preservar a hegemonia de um centro do Sacro Império Romano Germânico. O conceito de Europa que aí se retrata é de um super - estado intervencionista que restringe a liberdade das empresas e dos cidadãos e distribui às periferias de exclusão uns dinheirinhos para manter aqueles que nem conseguem emigrar. A Europa que aí se defende é uma construção ideológica que impõe um modelo onde a liberdade de cada homem, de cada família, de cada comunidade e de cada país fica sujeita a uma trama complexa de regulamentos cuja única função é afectarem rendas roubadas aos proveitos do enorme capital humano e territorial que a Europa detém.&lt;br /&gt;Tenho muita pena que o referendo não tenha sido feito em Portugal. Muito provavelmente votaríamos não. Seria um voto contra uma Europa Imperial e a favor de uma Europa Arquipelágica. Seria também um voto de Portugal contra a Lisboa política que ainda temos de carregar por mais alguns anos. Como é que aceitamos que se apregoe a democracia quando negam o poder do voto exactamente quando há indícios de que o voto é não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-6093315772142050917?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/6093315772142050917/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=6093315772142050917' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/6093315772142050917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/6093315772142050917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/06/grande-irlanda.html' title='Grande Irlanda'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-5813452910391527537</id><published>2008-05-21T09:22:00.001-07:00</published><updated>2008-05-21T09:22:36.787-07:00</updated><title type='text'>Autonomia ditatorial e colonial</title><content type='html'>A autonomia tem a ver com a capacidade de definirmos regras que, por um lado, condicionam o nosso comportamento mas que, por outro lado, potenciam a nossa liberdade e desenvolvimento. O pressuposto subjacente à autolimitação da liberdade inicial é que há acções do nosso comportamento que acabam por limitar não só essa liberdade e o desenvolvimento que lhe está associado mas também a liberdade e o desenvolvimento de todos.&lt;br /&gt;Estes preceitos vão funcionando mais ou menos mas parecem fazer mais sentido em ambientes de proximidade como aquele que existe entre as pessoas, nas famílias, nos grupos de amigos, nas empresas e nos clubes. E isto porque, nesses pequenos grupos autoregulados, é possível mantermos a liberdade seminal de voltarmos a ser gente, de criarmos e reconstruirmos famílias, de escolhermos e alimentarmos amizades, de pertencermos ou de nos despedirmos de empresas, e de entrarmos e de sairmos de clubes.&lt;br /&gt;No entanto, o sistema de autonomia e autoregulação é mais problemático quando os espaços são maiores, a ponto de nos condicionarem a liberdade de entrada e de saída, de contribuição e de manifestação. É assim que acontece nos espaços político-geográficos de regiões e de países. Nestes casos a saída de uma região ou país é sempre difícil e facilmente toma o nome de conceitos carregados de dor como são o de exclusão, exílio ou emigração. Por isso é dever elementar das autonomias regionais e das soberanias dos países a garantia de que os seus cidadãos sejam em si mesmos autónomos e soberanos, que é outra forma de dizer que lhes seja dada capacidade de se desenvolverem em liberdade.&lt;br /&gt;É nesta perspectiva que importa questionar a autonomia regional existente nos Açores e o governo que a gere. Será que está a fomentar a capacidade de cada um dos açorianos de se desenvolver em liberdade? Para alguns deles, talvez nem se façam esta pergunta bastando-lhes as palmas dos recebedores de benesses e de subsídios. Mas como a recepção de benesses e de subsídios raramente é sinónimo de promoção da capacidade de desenvolvimento em liberdade é importante retomar a questão, clarificando-a: Quais as facetas ditatoriais do actual governo dos Açores?&lt;br /&gt;Sinais de ditadura já começa a haver alguns.&lt;br /&gt;Primeiro, é cada vez mais patente que a alternancia democrática nos regimes autonómicos é muito menos garantida do que a nível nacional. Na verdade, o governo que está no poder é mais louvado pelas verbas que consegue obter de fora do que pela boa gestão que faz das verbas pagas pelos contribuintes das ilhas, isto mesmo quando as verbas que se obtem de fora são conseguidas pela venda das capacidades do mar e da terra.&lt;br /&gt;Segundo, é visível o crescente isolamento a que os habitantes das ilhas estão sujeitos, fruto da política míope do governo nos transportes aéreos e marítimos. As ditaduras são um pouco assim quando dificultam a saída dos residentes mas não se importam de favorecer a vinda de visitantes para observação de indígenas.&lt;br /&gt;Terceiro, e o que não deixa de ser problemático, a Universidade, que no consulado ditatorial de Mota Amaral foi, sobretudo em Angra, um pequeno foco de opinião livre quando deixou de ter a tutela regional, corre agora o risco de ficar de novo sobre a alçada do governo regional comprometendo-se assim a sua função de criação e divulgação de saber, uma vez que esse saber fica condicionado aos medos que os governantes costumam ter sobre as verdades que não gostam de ouvir.&lt;br /&gt;Finalmente, como o poder e a maioria da população está cada vez mais concentrada numa cidade, todo o arquipélago corre o risco de vir a sofrer de uma ditadura de cariz colonial. Não é nada de que não tenhamos memória.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-5813452910391527537?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/5813452910391527537/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=5813452910391527537' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/5813452910391527537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/5813452910391527537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/05/autonomia-ditatorial-e-colonial.html' title='Autonomia ditatorial e colonial'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-4779838766229510273</id><published>2008-05-21T09:18:00.000-07:00</published><updated>2008-05-21T09:19:21.208-07:00</updated><title type='text'>Os impérios fazem-se com traições</title><content type='html'>Os impérios fazem-se com traições. Traições que tem muito a ver sobre a reafectação dos direitos sobre pessoas e os sítios. No entanto essas mesmas traições são também as sementes que precipitam a queda dos impérios, não tanto pela reacção das pessoas e dos sítios traídos mas pela inconsistência entre os novos direitos criados e a vocação restringida das pessoas e dos sítios.&lt;br /&gt;Bom seria que não houvesse traições e que os espaços alargados não destruissem o saber acumulado nas pessoas e nos seus sítios. Mas sempre houve traidores capazes de vender direitos naturais e humanos por trinta dinheiros ou por meia dúzia de anos de poder. Muitos deles dirão que não tinham possibilidade de fazer diferente; muitos deles reinventam princípios que os autodesculpam. Princípios de traição, do género de que “é preciso colaborar com o inevitável”, ou de que “é a vida”, ou mais comum, de que “a culpa não é deles mas do sistema”. Vendo bem todos vamos sendo um pouco traidores. A única diferença é entre os que dão por isso, têm pena tentam melhorar, e aqueles que fazem por não dar por isso sustentados no suposto “inevitável”, na enfadonha “vidinha” ou no omnipresente “sistema”.&lt;br /&gt;Falo-vos disto por causa da criação do Império Europeu. Concretamente quero rflectir sobre o Tratado Reformador Europeu ratificado ontem sem honra e sem glória pelo Parlamento Nacional. A traição subjacente a esta ratificação é bem concreta. Trata-se de transferir para a União Europeia toda a biodiversidade marinha existente no Mar que era português.&lt;br /&gt;Numa altura em que todo o mundo se preocupa em valorar a biodiversidade marinha porque entende a sua função como fornecedor de recursos, garante de vida, regulador do clima, sequestrador de carbono, produtor de oxigénio e factor de resiliência dos ecossistemas, os nossos políticos passam todo este valor e a responsabilidade de gestão para as mãos de uns burocratas de Bruxelas e para as mentes de pessoas para quem a biodiversidade nunca teve a ver com as suas vidas e os com os seus saberes. A traição dos políticos portugueses é má por várias razões: - primeiro, porque troca aquilo que não lhes pertence por mais uns fundos comunitários conjunturais transferidos para financiarem acções de campanha eleitoral; segundo, porque sendo a gestão longínqua pior do que a gestão de proximidade, não parece que a transferência de recursos para a Europa seja garantia da sua gestão sustentável; terceiro porque, não assumindo o âmbito e a responsabilidade da sua traição, os políticos da traição acabam por precipitar de facto o fim da construção europeia cuja vocação sustentável nunca teve a ver com a venda abusiva e criminosa de direitos de propriedade, mas sim com a construção da paz e com a criação de um espaço alargado para o movimento livre de bens, de serviços, de pessoas e de meios financeiros.&lt;br /&gt;O caso é grave porque os nazis e napoleónicos que sonham com a construção do Império Europeu, ou aqueles muitos que são capazes de trair para que aquela enormidade se consubstancie e, a prazo, se destrua, são os mesmos que se recusam a pensar e a fazer pensar. Onde está a investigação sobre a criação do Império Europeu? Onde estão os estudos sobre os efeitos da transferência para Bruxelas da gestão exclusiva da biodiversidade marinha?&lt;br /&gt;Todos os dias nos damos conta dos desastres criados pelo facto de Bruxelas controlar os direitos de propriedade da terra. Os preços dos produtos agrícolas sobem e o mundo passa fome porque aqueles que têm capacidade para produzir são impedidos de o fazer. As zonas de mato natural são arroteadas porque uma lei estúpida de encabeçamento uniformizado, feita paradoxalmente em nome do ambiente, leva os agricultores a arrotearem mais terras. Os países pobres não podem produzir bens agrícola porque os europeus protegem produções ineficientes e por aí fora. Se isto são alguns dos desastres que vemos na gestão da terra quantos estaremos para ver associados à gestão do mar de Bruxelas!?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-4779838766229510273?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/4779838766229510273/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=4779838766229510273' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/4779838766229510273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/4779838766229510273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/05/os-imprios-fazem-se-com-traies.html' title='Os impérios fazem-se com traições'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-7754567152313072290</id><published>2008-05-21T09:14:00.000-07:00</published><updated>2008-05-21T09:15:16.570-07:00</updated><title type='text'>Liderar é arriscar</title><content type='html'>Nos próximos dias 2 a 6 de Junho vai realizar-se no Hotel Terceira Mar em Angra do Heroísmo o Curso “Liderança para o Século XXI” promovido pela Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento e da responsabilidade da Harvard Kennedy School. Em 1999 participei num curso um pouco mais longo da Harvard Kennedy School sobre economia dos recursos naturais em Boston e gostei muito. Foi caro mas valeu a pena. Desta vez a melhor escola do mundo vai estar aqui ao lado; decidi inscrever-me no curso e estimulei outros colegas do Gabinete de Gestão e Conservação da Natureza a fazerem-no igualmente. Não é de forma nenhuma tão caro como seria em Harvard mas mesmo assim é bem diferente de alguns cursos de formação que existem pelos Açores em que os formandos recebem dinheiro e comida para estarem presentes.&lt;br /&gt;Já nos mandaram o programa, um ensaio para entregarmos até ao dia 26 de Maio e um livro para lermos presumívelmente enquanto fazemos os ensaio. O livro, de Ronald A. Heifetz e Marty Linsky tem o título de “Liderança no Fio da Navalha, como manter-se vivo nos perigos da liderança”. Os três primeiros capítulos, que são aqueles que consegui ler ao fim das duas últimas tardes, trazem ideias novas que vão contra o senso comum e fazem-nos pensar sobre a nossa postura face a quem dirigimos e face à atitude de quem nos dirige.&lt;br /&gt;Assinalei algumas frases destes três primeiros capítulos do livro: “O exercício da liderança pode-nos criar muitos problemas”, “O que nos é dado para liderar é o nosso conhecimento, a nossa experiência, os nossos valores, a nossa presença, o nosso coração e a nossa sabedoria”, “As pessoas que lideramos não resistem à mudança (como muitas vezes pensamos), mas resistem à perspectiva de perda”, “A traição à liderança vem muitas vezes do sítios e de pessoas que não esperamos”, “A personalização da liderança cria marginalização” e outras frases do género. Também são referidas algumas histórias de liderança. Uma em que duas índias que demoraram dez anos para fazer com que os índios da sua reserva começassem a beber menos alcool. Outra de Isaac Rabin que morreu assassinado por um israelita extremista. O erro de Martin Lutter King que se desviou do seu objectivo na luta pelos direitos humanos para contestar a guerra do Vietnam, e por aí fora. No fundo a imagem que nos dão de líderes tem mais a ver com a ideia que fazemos dos santos do que com o conceito que vamos tendo de autoridades cinzentas, agarradas ao poder, sem rasgo e sem vontade de mudarem seja o que for.&lt;br /&gt;Curiosamente, ao mesmo tempo que estou a ler este livro sobre liderança, caiu na minha secretária uma publicação do Partido Socialista Regional intitulado “Açores, Ilhas de Futuro”. Foi distribuído numa espécie de Estados Gerais que se realizaram na Terceira há dias e no qual terão participado uns tantos jovens desenganados mais uns outros laranjitas com saudades do poder que sonharam enquanto jovens certamente desenganados. Se o futuro é o que que ali se apresenta não o quero nem mesmo para os socialistas ou laranginhas arrependidos que desenvolveram e acataram aquelas ideias. Primeiro porque se trata de um programa cinzento para pedir fundos à União Europeia. Depois porque não tem uma única ideia nova e não identifica um problema sério. Em suma, pegando nas ideias do livro sobre liderança, não muda nada e não arrisca coisa nenhuma. Lá estão as palavras chave que Bruxelas gosta de ouvir: o ambiente, a sociedade de informação e mais outros conceitos que o poder deturpa. Mas as acções concretas e os efeitos esperados não indiciam qualquer esperança de mudança. Só, talvez, a garantia de que, pelo menos até 2013, ainda vai chegar algum dinheirinho pela venda do mar, da terra, da localização e das gentes, que é isso afinal o que vamos tendo.&lt;br /&gt;Percebe-se porquê. Nenhum dos que escreveram, assumiram ou ouviram o dito texto “Açores, Ilhas de Futuro” querem arriscar seja o que for. É pena que embora os líderes não devam ser medrosos a verdade é que os dirigentes de governos que tendem a ser ditatoriais e coloniais tendem facilmente a sê-lo. E o medo com poder é uma chatice cinzenta e amorfa que degrada as pessoas e os sítios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-7754567152313072290?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/7754567152313072290/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=7754567152313072290' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/7754567152313072290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/7754567152313072290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2008/05/liderar-arriscar.html' title='Liderar é arriscar'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114461142794479855</id><published>2006-04-09T12:35:00.000-07:00</published><updated>2006-04-09T12:37:07.946-07:00</updated><title type='text'>Será que o povo prefere a propaganda?</title><content type='html'>O Promedia foi aprovado e os órgãos de comunicação social dos Açores vão começar a implementar as medidas de gestão que tinham planeado para o mau cenário do projecto ser aprovado. Não havendo subsídio ao papel, haverá menos jornais de borla disponíveis nas mesas de cafés. Não havendo subsídio ao papel, haverá restrições nos gastos correntes. Por outro lado havendo apoio a algum investimento e a alguma formação haverá necessariamente a apresentação de propostas de investimento e de formação. Vamos a ver como é que o Governo as selecciona e financia! Em conversa aqui e ali as pessoas acham bem que se retire os subsídios. Não as convence a explicação de que a comunicação social está a prestar um serviço público e que é na medida desse serviço que deveria haver o apoio público. Tudo bem.&lt;br /&gt;No entanto convém lembrar as pessoas e os deputados que o gasto que o Governo faz na sua comunicação social e na propaganda jornalística é muito superior aos pequenos apoios que dá aos órgãos de comunicação social privados. E tudo isso é pago naturalmente pelas taxas e pelos impostos.&lt;br /&gt;Desde logo a RTP-A e a RDP-A cujos jornalistas e técnicos são financiados por taxas que todos pagamos. Mas o Governo pouco se preocupa com o desempenho destes seus funcionários desde que mantenham a máquina de propaganda do poder. Pouco importa saber se as audiências são muitas ou poucas, o que importa é que não façam muitas ondas e que estejam à disposição para noticiar os “grandes empreendimentos” da governação. Sintomático é o facto do tempo de noticiário da manhã na RTP ser ocupado por um bom programa, gerido por não um funcionário, mas pago por todos nós. Grave é o facto do noticiário das nove da manhã da RDP ser a brincar com as notícias. Como se a realidade açoriana tivesse menos interesse do que a chacota sobre notícias passadas.&lt;br /&gt;Por outro lado a Lusa tem os meios equivalentes a uma redacção de jornal e, embora seja em paga indirectamente por essas mesmas redacções, a verdade é que tem a segurança das verbas governamentais. E é assim que podem produzir muito o pouco, preocupar-se por tudo ou por coisa nenhuma. Pois sabem que têm a almofada do governo e a renda dos órgãos de comunicação social privados. E se a Lusa fizesse um acordo com as redacções dos órgãos privados para lhes fornecerem notícias? Mas os governantes preferem ter jornalistas mais ou menos controláveis em vez de se arriscarem na liberdade jornalística dos órgãos privados.&lt;br /&gt;Além disso ainda existe o Gabinete de Apoio à Comunicação Social que tenta encher as páginas dos jornais e os tempos das rádios com os projectos e feitos, grandes ou pequenos, de quem nos governa. Já todos conhecemos a lenga-lenga: a ideia é anunciada cinco vezes, o projecto quatro, a adjudicação três, a primeira pedra duas vezes e a inauguração fica para próximo governo. Ao todo serão mais de dez jornalistas o que daria duas redacções. Mas, não contentes com isto, cada secretaria regional tem ainda um ou dois assessores de imprensa num total que rondará as vinte unidades.Grosso modo o Estado na Região tem uma capacidade de produção de notícias equivalente a dez redacções de jornal pagas por todos nós. Só que tende a haver repetição de notícias e muitas delas confundem-se com propaganda. O drama é que, com a votação registada na Assembleia Regional a favor do Promedia, o povo dos Açores através dos seus representantes, preferiu gastar os seus impostos na comunicação social controlada pelo Estado do que estimular a comunicação social com a diversidade redactorial de cada título e de cada jornalista. Foi isso que decidiram! É pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114461142794479855?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114461142794479855/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114461142794479855' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114461142794479855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114461142794479855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/04/ser-que-o-povo-prefere-propaganda.html' title='Será que o povo prefere a propaganda?'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114461121407995077</id><published>2006-04-09T12:31:00.000-07:00</published><updated>2006-04-09T12:33:34.096-07:00</updated><title type='text'>Editar</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Para o mundo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bill Emmott deixou de ser editor do Economist desde 31 de Março último e, como de costume, teve direito a duas páginas daquela revista global para reflectir, para se desculpar e para dar recados. Começa por expor que os objectivos da revista são o de promover o comércio livre e todas as formas de liberdade. Em nome do mercado defende a globalização e a eliminação das barreiras ao movimento de bens, de capital e de pessoas, com o que eu concordo. Em nome da defesa de todas as formas de liberdade argumenta a favor da democracia, no que tem o meu apoio, mas insiste, embora cada vez mais com mágoa e dúvida, em ser a favor das drogas leves, do aborto e da eutanásia, o que é manifestamente contra aquilo que eu e a União defendemos. De qualquer forma é uma revista com cunho e embora três quartos do que publica seja o relato de factos, um quarto da escrita é dedicada à defesa de argumentos pró ou contra alternativas de decisão política.&lt;br /&gt;E é por isso que a revista se sente corresponsabilizada com a evolução do mundo, nomeadamente no que diz respeito ao desenvolvimento e à democracia. Bill Emmott relata com agrado o que foi acontecendo no mundo, desde 1993 até agora, naqueles dois aspectos: o produto per capita mundial aumentou 40% apesar da população ter crescido 18%; a pobreza reduziu-se de 1.2 mil milhões de pobres para menos de 1.0 mil milhões e espera-se que em 2015 se reduza a 650 milhões; o desemprego na OCDE baixou de 7.8% para 6.3%; e a população a viver em liberdade e democracia passou de 20% para 46% da população mundial desde 1993 até agora. É verdade que grande parte destas melhorias não resultam directamente da actuação do Economist mas o facto é que aquela revista participou, com muitos outros, nesse objectivo e alegra-se com os resultados. Mas também tem lamentos e dúvidas sobre aquilo que defendeu: quando não apoiou a intervenção na Bósnia e quando apoiou a intervenção no Iraque. E, à laia de recado, deixa alertas para o próximo editor: para que se lembre que as guerras do século XX se deram porque se parou o processo de globalização do início do século; para que não atenda à possibilidade de grupos terroristas ficarem na posse de armas de destruição maciça; e para que se atenda à propensão expansionista da China.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para os Açores&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos melhores exemplos de editores para além de Bill Emmott. Basta lembrar João Paulo II e as suas encíclicas, cujo impacto no mundo foi certamente mais marcante e permanente do que o daquela revista britânica.&lt;br /&gt;No entanto o que importa reter neste texto é o cunho dado ao que se publica e a corresponsabilização com os resultados que se vão obtendo. Não tanto os resultados que se referem à subsistência do jornal ou da revista mas aqueles efeitos que se verificam na sociedade. Como o Economist sou pelo desenvolvimento e pela democracia. E como a administração da União tentamos ser a favor dos bem-aventurados. Queremos participar na promoção do desenvolvimento dando destaque aos seus agentes. Queremos promover a democracia e a melhoria da decisão política, questionando governos e oposições. Queremos participar na construção de um mundo mais justo e misericordioso exprimindo e expressando os gestos do amor de Deus e dos homens.&lt;br /&gt;O problema é que o fazemos pouco e nos enganamos muitas vezes. Umas vezes falta-nos proximidade e vontade para dar destaque aos agentes do desenvolvimento. Outras vezes falta-nos saber e coragem para questionar os actos políticos. Muitas vezes falha-nos o desígnio e a vontade para exprimir e dar expressão aos gestos bons. Por ventura falta-nos o discernimento para entendermos os efeitos da nossa escrita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114461121407995077?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114461121407995077/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114461121407995077' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114461121407995077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114461121407995077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/04/editar.html' title='Editar'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114452978472758717</id><published>2006-04-08T13:55:00.000-07:00</published><updated>2006-04-08T13:56:24.746-07:00</updated><title type='text'>Domingo de Ramos</title><content type='html'>Domingo de Ramos é uma espécie de Festa da Juventude ou de Encontros de Jovens em Taizé. Faz então sentido que tenham partido hoje para aquela cidade ecuménica um grupo de jovens da Terceira.  Grupo que se juntará a tantos outros, pequenos e grandes, provenientes da Europa e do Mundo. Também parecem consentâneos com o Domingo de Ramos os Encontros de Juventude que se realizam este fim de semana em São Mateus e em muitas outras paróquias da cristandade, para preparar as Jornadas de Juventude previstas para Sydney em 2008.Não há dúvida de que estas festas de juventude nos sensibilizam. Comovem-nos porque já nos marcaram nos tempos que éramos mais novos, quando desafinávamos com os ran rans de uma viola qualquer, ou nos surpreendíamos com o olhar bonito de uma cara que tínhamos por feia. Marcam-nos porque gostaríamos que o fizessem ainda hoje, num sinal, mesmo que fortuito, de que o Reino de Deus pode ser na Terra.E no entanto esse mesmo sinal é - nos trazido ao longo das celebrações da Páscoa onde só o conjunto formado pelos Ramos, pela Paixão, pela Morte, pela Ressurreição e pela vinda do Espírito Santo parece fazer sentido. Só que ficamos boqueados na Paixão e na Morte de Jesus e não temos grande força para nos espantarmos com a Ressurreição ou nos alegrarmos com a maravilha do Pentecostes. Nos Açores as festas do Espírito Santo trazem-nos, com alento, uma espécie de Domingo de Ramos do Novo Testamento mas a verdade é que não temos sabido transmitir a força desse Reino para o resto do ano e para o resto do mundo.E assim nos quedamos pela alienação do Domingo de Ramos. Por um lado ficamos com um vislumbre externo da alegria de um mundo melhor e mais feliz. Por outro lado sabemos que, na intimidade do nosso coração, há falhas e mágoas que nos impedem de transferir aquela alegria externa da festa para a sustentabilidade das festas internas de todos os dias. Ao fim e ao cabo falta-nos coragem para a passagem da paixão e da morte embora a vida nos vá ensinado que é “melhor enfrentar esse touro de caras em vez de ser agarrado pelas costas” sem preparação e sem sustento para aguentarmos e redimirmos a dor e o sofrimento.Também é verdade que, muitas vezes, vamos passando ao lado de tudo isto. Até sermos apanhados pelo espectro do sofrimento e da morte sem nos prepararmos para tal. Resta-nos a lembrança de alguns e a permanência institucional do calendário litúrgico. É bom que o atendamos em uníssono com grande parte do mundo. A festa dos ramos não nos dá a verdade toda mas dá-nos um passo importante para essa verdade e um vislumbre da alegria que ela trás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114452978472758717?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114452978472758717/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114452978472758717' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114452978472758717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114452978472758717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/04/domingo-de-ramos.html' title='Domingo de Ramos'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114436484061014070</id><published>2006-04-06T16:06:00.000-07:00</published><updated>2006-04-06T16:07:20.623-07:00</updated><title type='text'>Promedia em debate</title><content type='html'>O debate sobre o Promedia está agendado para hoje na Assembleia LegislativaRegional. Como sabem o Promedia é o programa regional para a comunicação socialque prevê cortes nos subsídios à aquisição de papel, cortes nos apoios ao portepago e cortes nas comunicações telefónicas dos órgãos de comunicação social.Por outro lado redefinem-se os sistemas de apoios à modernização tecnológica,criam-se ajudas à formação profissional e prevê-se um apoio extra aos jornais erádios da ilhas mais pequenas. Os agentes que ganham ou perdem se esta políticade comunicação social for implementada são, genericamente, o governo, os órgãosde comunicação social e o público.O Governo fica a ganhar. Ganha porque gasta menos verbas a apoiar a comunicaçãosocial. Ganha porque as verbas que passa a gastar serão em grande partefinanciáveis por programas comunitários, que tendem a apoiar o investimento masa não financiar os gastos correntes. Julga ganhar porque, supostamente,conseguirá uma maior discricionaridade nos apoios dados, podendo facilmentefavorecer os jornais e rádios mais amigos do governo e desfavorecer aqueles quedefendem mais o interesse do público. Sintomaticamente é o que já vem fazendocolocando publicidade institucional nos jornais e rádios mais conformes edescurando as audiências e leitores dos restantes.Os órgãos de comunicação social como um todo perdem. Perdem porque o volume dosapoios correntes se reduz drasticamente. Perdem também porque, muitos dos quepretendem vir a ser agraciados com os parcos apoios ao investimento e àformação, terão tendência a publicitar mais os feitos e projectos do Governo doque a informarem o público sobre os feitos e defeitos da governação. Estou apressentir o recado que os responsáveis do governo que desde há anos se recusama publicitar na União darão aos responsáveis pela avaliação dos projectos demodernização e formação: “para esses não!”. Mas os órgãos de comunicação socialtambém perdem porque a instabilidade criada pela discricionaridade dos apoios doGoverno acabará por minar o ambiente que permite uma concorrência e cooperaçãosã e eficiente. É claro que o Governo trás o rebuçado do apoio aos órgãos decomunicação social das ilhas de coesão onde não há actualmente jornais e osúnicos jornais que passará a haver serão as folha publicitárias do Governo àmaneira das duas folhas do Gramcha que se publica em Cuba.Face ao dito o público também perde. Primeiro porque tenderá a haver um poucomenos informação independente nos jornais porque os custos de operaçãoaumentam. De facto não só a produção diária de notícias tenderá a diminuir comoa qualidade dessas notícias tenderá a ser pior porque mais subordinada àaprovação discricionária dos projectos de modernização apresentados ao Governo.Os órgãos de comunicação social prestam um serviço público importante e o apoiopúblico só se justifica porque existe essa externalidade positiva para asociedade. No entanto esse serviço público não pode ser aferido pelo Governonão só porque essa aferição tende, como vimos, a minar o próprio serviçopúblico mas também porque o papel impresso vendido no mercado é um indicadormelhor da quantidade e qualidade do serviço de informação. Os governos têm atentação de controlar a informação mas é bom que a Assembleia assuma o seupapel na defesa do público.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114436484061014070?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114436484061014070/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114436484061014070' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114436484061014070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114436484061014070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/04/promedia-em-debate.html' title='Promedia em debate'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114426625002968209</id><published>2006-04-05T12:42:00.000-07:00</published><updated>2006-04-05T12:44:10.046-07:00</updated><title type='text'>Cooperação e Competição</title><content type='html'>No desporto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São seis e meia de ontem. (Gosto desta ubiquidade temporal dos jornais). Dentro de pouco tempo o Benfica vai defrontar o Barcelona. O favorito é o Barça mas lá em casa e em muitas casas portuguesas torcem pelo Benfica. Se ganhar é uma alegria de algumas horas. Se perder é uma mágoa de alguns minutos.&lt;br /&gt;Os jogos desportivos têm esta magnífica capacidade de tornarem absoluto cada momento mas, ao fazerem-no, acabam por esvaziar a relevância do passado e do futuro. A vida devia ser mais assim. Mais momentânea do que permanente. Mais aqui e agora, do que feita de memória e de planeamento. E como somos levados a viver com passado e futuro e sem presente gostamos de ver jogos que nos dão a importância de cada instante.&lt;br /&gt;A outra grande lição dos jogos desportivos é que conciliam quase na perfeição a competição com a cooperação. Bastam meia dúzia de regras para que a luta de reminiscências paleolíticas para guardar um objecto precioso num qualquer resguardo, se transforme num espectáculo magnífico que cria sonhos nas crianças de favela e diverte milhões nos estádios e nas televisões.&lt;br /&gt;O maravilhoso é que, em cada equipa, está bem definida a fronteira entre a cooperação e a competição. Os jogadores de uma equipa cooperam entre si para competirem com a equipa adversária. No entanto esses mesmo jogadores também competem uns com os outros para não ficarem no banco de suplentes e para serem chamados para equipas melhores. O segredo de tudo isto está na criação de regras claras que, quando não são respeitadas, degradam o jogo e reduzem o desempenho dos jogadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na economia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exemplo do desporto serve perfeitamente para a economia. Sabemos que o desenvolvimento regional resulta em grande parte da capacidade que as cidades, com os seus territórios, têm de competir entre si. Não tanto para atrair investimentos públicos como tem sido moda em Portugal, mas sim para vender os bens e serviços em que se especializaram nos mercados globais. O problema é que essa competição externa das cidades só é sustentável se, ao mesmo tempo, houver competição e cooperação interna. Dou-vos o exemplo do queijo de São Jorge. O queijo de São Jorge tornou-se competitivo porque cada uma das cooperativas conseguiu concorrer com as outras pela matéria prima mas também cooperar em torno da venda de um produto de marca comum. Quando os governos míopes querem concentrar tudo numa União de Cooperativas, para melhor controlarem e subjugarem os agentes locais, acabam por minar um dos requisitos essenciais à competitividade da ilha de São Jorge.&lt;br /&gt;Mas o jogo de cooperação / competição que sustenta o bom futebol e o desenvolvimento regional não se limita à promoção da competição entre os factores produtivos (jogadores ou leite), e a cooperação em torno de produtos (golos ou queijo). De facto o outro factor essencial do desenvolvimento é a dinâmica do ganhar e do perder. Quando se ganha obtém-se uma margem extra para o investimento e para a inovação. Quando se perde ganha-se o saber dos erros cometidos e algum conhecimento que emana dos ganhadores.&lt;br /&gt;É por isso muito importante criar regras de jogo que promovam a competição e a cooperação. O Governo fê-lo bem quando, em São Miguel, aumentou ao mesmo tempo a oferta turística através de apoio à construção de hotéis pois a competição entre eles permitiu reduzir o preço e manter os Açores relativamente competitivos em termos turísticos. O governo faz muito mal quando favorece empresas e entidades mais suas amigas pois, pretendendo fomentar a cooperação com as entidades suas amigas, acaba por minar a concorrência e a cooperação entre os agentes económicos que, esse sim, é promotor do desenvolvimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114426625002968209?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114426625002968209/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114426625002968209' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114426625002968209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114426625002968209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/04/cooperao-e-competio.html' title='Cooperação e Competição'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114415845180474633</id><published>2006-04-04T06:46:00.000-07:00</published><updated>2006-04-04T06:47:31.820-07:00</updated><title type='text'>350 Milhas</title><content type='html'>O Navio Oceanográfico português escalou ontem no Molhe Militar da Praia da Vitória. Quando tive essa notícia há dias fiquei com a ideia que estariam nos Açores para estudar o projecto de alargamento da Zona Económica Exclusiva para as trezentas e cinquenta milhas. Um projecto arrojado que depende certamente do sucesso de várias actividades coordenadas. Em primeiro lugar a justificação perante terceiros de que aquela extensão é plausível e realizável. Em segundo lugar a efectiva utilização desse direito e dever. E, em terceiro lugar, a capacidade para fiscalizar uma área muito maior do que aquela que hoje temos dificuldade em gerir e controlar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Justificação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pelo menos dois tipos de justificações para alargar a ZEE para as 350 milhas. Por um lado sabe-se que aquilo que não tem dono tem tendência a ser delapidado por todos. É isso que acontece na maior parte das pescarias sujeitas ao regime de livre acesso. É isso mesmo que acontecerá a todos os recursos que estejam nesse regime e que a tecnologia vá tendo cada vez mais facilidade de explorar. No início os lucros serão grandes mas à medida que todos tiverem possibilidade de o fazer essa vantagem reduzir-se-á para zero e os recursos chegarão ao fim. É assim que nos é explicado na teoria e é assim que verificamos na prática.&lt;br /&gt;Por outro lado também se sabe que aquilo que está mais perto é normalmente mais fácil de gerir e de controlar. Faz assim sentido que o mar em torno dos Açores seja gerido e controlado pelas várias ilhas dos Açores com o apoio do Estado. Os Europeus, que não conhecem o mar a não ser do azul dos mapas, gostariam de o gerir a partir de Bruxelas. Mas todos já percebemos que o resultado seria a exploração extreme dos recursos por aqueles que melhor tecnologia tem no momento, para seu único benefício no curto e médio prazo e para malefício de todos no longo prazo, quando já não houvesse recursos exploráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Efectiva utilização&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como é que queremos aumentar a ZEE para as 350 milhas se mal temos capacidade para gerir e controlar as 200 milhas a ponto de termos admitido por demissão que as 100 milhas nos eram suficientes? Não há nenhum problema que não tenha solução. Basta a admitir que os barcos possam vir pescar para os Açores desde que a descarga de pesca seja feita nos portos açorianos. Rapidamente alguns bascos e galegos passariam a vir para cá, a trazer as suas famílias, a empregarem pescadores açorianos e a integrarem-se na nossa vida colectiva. Ao fim e ao cabo os portugueses costumam ser muito bons na integração de estrangeiros que, ao fim de uma geração ou menos ainda, cantam o hino nacional com orgulho, participam nas romarias e nas festas e recriam a cultura que estes sítios permitem. Trata-se apenas de investimento estrangeiro e de transferência de tecnologia. É claro que os actuais pescadores dos Açores não iriam gostar no curto prazo, quando vissem barcos melhores descarregar peixe com menos custo. Mas rapidamente se adaptariam integrando-se nas suas armações ou adoptando e adaptando as metodologias. Uma coisa é certa. Se ficarmos com um bocado de mar para gerir e controlar e não o fizermos outros o farão por nós, e com um intuito de delapidação e não de gestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Capacidade para fiscalizar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se fala de milhas fala-se sempre de fiscalização e do seu custo. O facto é que todos sabemos que a única fiscalização possível é a que é feita pelos próprios pescadores quando são em número suficiente e quando sabem que o recurso que gerem é deles. Só quem é dono é que cuida. Para isso de nada serve ter mais barcos patrulha e mais helicópteros que só servem para estimular a corrupção e gerar gastos inúteis. O que é preciso é barcos no mar mas barcos de pescadores que sejam capazes de fiscalizar o que lhes pertence. Depois basta um pouco de inteligência e um mínimo de meios para prover o estudo e a regulação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114415845180474633?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114415845180474633/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114415845180474633' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114415845180474633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114415845180474633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/04/350-milhas.html' title='350 Milhas'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114408631838672954</id><published>2006-04-03T10:44:00.000-07:00</published><updated>2006-04-03T10:45:18.403-07:00</updated><title type='text'>O saber dos formatos que perduram</title><content type='html'>A mensagem contém uma informação que varia conforme o meio onde corre (McLuhan). Numa conversa de café a mensagem pode passar despercebida mas os supostos direitos de autor podem igualmente ser arrebatados por um qualquer interlocutor. Numa carta manuscrita o seu conteúdo passa da intimidade e posse de quem escreve para a intimidade e propriedade de quem lê. Numa conversa de telefone transferem-se sons ao longo das redes de telecomunicações mas a credibilidade necessária para que esses “ruídos” tenham “música” depende muito da confiança entre o receptor e o emissor. Uma carta impressa e assinada funciona de modo curioso pois tende a criar, a maior parte das vezes, um direito do lado do emissor e uma obrigação do lado do receptor. Já nos faxes é um pouco ao contrário pois é o receptor que fica com o poder do fax que lhe transmite o compromisso do emissor. Mas se já for publicidade o valor da mensagem passa a ser dado apenas pela apetência de quem lê. Por outro lado há novos meios cuja efectividade na transmissão de informação credível e com valor é ainda difícil de perceber: os correios electrónicos, os grunhidos transcritos no Messenger, os conteúdos terapêuticos dos Blogues, a escrita especializadíssima das mensagens de telemóvel, a diversidade de imagens e sons televisivos e por aí fora. O facto é que, naquilo que conta, tudo isto é real e não virtual. Ocorre no espaço e no tempo ou é pelo menos nessas dimensões bem reais que se reflecte e manifesta.&lt;br /&gt;E o que conta, afinal, é o receptor e o emissor cujos formatos de recepção e de emissão são o início e o fim do meio que transporta os dados. Tudo o mais é fio de cobre ou feixe hertziano, fibra óptica ou cabo coaxial, papel ou rádio, televisão ou computador. Muito para além da tecnologia é necessário ir percebendo e ajustando os mecanismos de informação - decisão dos emissores e dos receptores. Os emissores recolhem e recebem dados que tratam e transmitem, fortemente condicionados pelos seus quadros de referência e pelas suas capacidades de emissão. Os receptores recebem os dados tratados e formatados pelos emissores, dão-lhes significados através do seu conhecimento e transformam-nos em decisões e actos tendo em atenção as suas capacidades, o contexto onde actuam e os seus objectivos. Em todo este circuito a preocupação fundamental do emissor é recolher e tratar dados tendo em atenção todas as capacidades da cadeia de valor a jusante: as suas capacidades de transmissão, a capacidade de percepção e de acção dos receptores e, para cada contexto, os seus objectivos alcançáveis. Isto para além da concorrência dos outros emissores que tentam substituir, complementar ou negar a informação que cada emissor vai veiculando.&lt;br /&gt;A experiência dos jornalistas e a cultura dos jornais mais antigos como “a União”, o “Açoriano Oriental” e outros dos Açores, permitem competir e desenvolver com alguma sustentabilidade. Por vezes há limitações atávicas destes títulos antigos, como o facto do Açoriano ser “Oriental” e ter dificuldade em lançar-se para as outras ilhas, ou a característica da União ser um jornal da diocese e da sua tiragem tender a variar proporcionalmente com o número de católicos praticantes. Mas a verdade é que qualquer limitação é também uma potencialidade, dependente da perspectiva de onde é olhada. Na União queremos ser um instrumento evangelização do mundo que reportamos. E complementamo-nos bem com o mais antigo jornal do país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114408631838672954?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114408631838672954/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114408631838672954' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114408631838672954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114408631838672954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/04/o-saber-dos-formatos-que-perduram.html' title='O saber dos formatos que perduram'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114399529493568132</id><published>2006-04-02T09:27:00.000-07:00</published><updated>2006-04-02T09:28:14.946-07:00</updated><title type='text'>Desenvolver é Povoar</title><content type='html'>Desenvolver é povoar, e povoar é exportar. Pode-se resumir assim a pequena palestra que dei na passada quarta feira no Hotel do Caracol a convite do Clube dos Rotários de Angra. Não sou Rotário e muito provavelmente nunca virei a ser mas a imagem dos rótulos é a imagem das pessoas que os assumem e foi nesse pressuposto que pude dizer: “Se os rotários são vocês então são certamente uma coisa boa!”&lt;br /&gt;Mas voltemos ao tema. Do que sabemos é que ilhas semelhantes do Canal da Mancha, têm cinquenta mil habitantes, quando são geridas por ingleses e cinco mil quando falam francês. As primeiras são desenvolvidas e atraem muitos emigrantes madeirenses. As segundas são subsidiadas e não atraem ninguém. Também conhecemos a história demográfica dos Açores e podemos estimar que teríamos agora meio milhão de habitantes, caso se tivesse mantido o modelo económico dos três primeiros séculos de povoamento e que voltou a aparecer na primeira metade do século XX. No entanto, com a estratégia de despovoamento e emigração do século XVIII e da segunda metade do século XX, a tendência dos Açores é ficar apenas com um pouco mais de cem mil habitantes. De facto é esse o cenário caso desapareçam as transferências públicas provenientes do Estado que nos chegam desde há trinta anos e que pararam artificialmente o ritmo de despovoamento.&lt;br /&gt;Mas para que é que precisamos de mais gente? Duas razões para povoar. A primeira é que o envio de verbas do exterior tende a ser calibrada de acordo com a necessidade de povoar o que eles consideram fronteira. E com menos gente receberemos naturalmente menos verbas até que nos limitem a uma dúzia de faroleiros e umas tantas guarnições do exército; que para a marinha e força aérea o país não tem meios. A outra razão é que o desenvolvimento se faz com pessoas e não apenas com terras bonitas e dinheiro fácil. Basta olhar as ilhas que conhecemos para perceber que, por exemplo, se a Terceira tivesse a população de São Miguel aqui muito mais e mais diversas empresas. A ideia já vem de Adam Smith que disse que o desenvolvimento se faz pela especialização e que a especialização aumenta com a dimensão do mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;...e povoar é exportar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O problema é que o mercado das ilhas será sempre pequeno pelo que têm de se especializar e exportar para buscar noutras paragens a dimensão suficiente de mercado para que os seus recursos humanos, materiais e naturais possam ser competitivos. É assim que, paradoxalmente, a diversificação associada ao aumento do mercado local, resulta da especialização em exportações para o mercado global. Se apostarmos na diversificação contra a especialização acabamos por ficar com a pobreza e miséria própria das pequenas economias rurais viradas para si mesmas.&lt;br /&gt;Mas como fazê-lo? Dois casos paradigmáticos. Um: na Base das Lajes temos mil empregados portugueses e a única preocupação dos políticos é que fiquem com direito à reforma sem qualquer preocupação com o emprego futuro. Imaginemos que a nossa estratégia é dar força às potencialidades logística das Lajes não só em termos militares esporádicos pelos mas também em termos regulares para voos civis. Se assim for passa a haver três mil empregos e a população da ilha Terceira cresce de 55 para 70 mil pessoas. Dois: na Ilha do Corvo há 10 pessoas ligadas à pesca. No entanto, com a melhoria do porto e direitos de pesca atribuídos à ilha e não à voracidade de estranhos, o número de pescadores passa para 36 e a população da ilha cresce de 440 para 600. Sabemos como se faz! Basta querer!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114399529493568132?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114399529493568132/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114399529493568132' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114399529493568132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114399529493568132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/04/desenvolver-povoar.html' title='Desenvolver é Povoar'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114382897873516275</id><published>2006-03-31T10:15:00.000-08:00</published><updated>2006-03-31T10:16:18.743-08:00</updated><title type='text'>Novo formato da União</title><content type='html'>A partir de hoje a União ( www.auniao.com )passa a ter um formato um pouco diferente. Por um lado passamos a ter menos faixas cinzentas e a nossa fita vermelha da capa passa a ser um pouco mais estreita. Por outro lado, em vez de quatro colunas de texto passa a haver seis colunas um pouco mais estreitas.&lt;br /&gt;Todas estas alterações são mais complicadas de adoptar do que se supõe. Por um lado é necessário adaptar o formato do jornal e, embora sejam pequenas as modificações, a verdade é que envolveram um trabalho responsável de desenho por parte do nosso técnico Bruno Moniz. Por outro lado foi necessário decidir sobre as várias alternativas de formato. Ou se deixava ficar como estava, ou se adoptava uma das várias soluções trazidas pelos técnicos: Manter o vermelho ou arriscar o magenta, o azul ou o verde? Mudar o tipo de letra ou manter aquela que estamos habituados a ver? A opção foi não alterar o tipo de letra nem a cor e apenas modificar o formato. No fundo pretendeu-se continuar a imagem que o jornal tem desde há quatro anos embora com alguma racionalização em termos de formato.&lt;br /&gt;A vantagem da redução das faixas cinzentas está em conseguir mais relevância para o texto. Esperemos que essa nova forma traga uma maior atenção do leitor pelo conteúdo e que, da nossa parte, haja um melhor cuidado na preparação de textos com interesse e com qualidade. Para além disso o retirar das faixas faz crescer o espaço para a publicidade que, esperamos, seja totalmente aproveitado pelas empresas e entidades que anunciam os seus bens e serviços. Como sabem, ao fazerem-no, aumentam também a capacidade do jornal de informar melhor os leitores.&lt;br /&gt;A vantagem da passagem de quatro para seis colunas tem a ver não só com a facilidade de leitura de blocos de texto um pouco mais estreitos mas também porque seis é um número mais divisível do que quatro, como há muito tempo sabem os utilizadores do sistema hexadecimal que nos ordena as horas e os minutos. Na verdade seis colunas podem transformar-se facilmente em três, duas ou uma, enquanto que as quatro colunas só admitem, com um mínimo de estética, a transformação em duas ou uma.&lt;br /&gt;Há quem pense que a forma não condiciona o conteúdo mas não é assim. Uma boa sala de aula estimula a aprendizagem, uma boa apresentação favorece a interacção, e um jornal que vai tentando melhorar o seu formato também vai criando um espaço renovado para os leitores e para os escritores. Vamos a ver se respondemos ao desafio da forma? Temos outros para lançar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114382897873516275?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114382897873516275/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114382897873516275' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114382897873516275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114382897873516275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/03/novo-formato-da-unio.html' title='Novo formato da União'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114374676768258617</id><published>2006-03-30T11:25:00.000-08:00</published><updated>2006-03-30T11:26:07.693-08:00</updated><title type='text'>França</title><content type='html'>O Economist refere a frase de Tocqueville: “A França é o país mais brilhante e perigoso da Europa e o mais qualificado para se tornar objecto de admiração, ódio, compaixão e terror, mas nunca de indiferença”. Se assim for vale a pena perceber o que vai ocorrendo naquele país mesmo que, de cá, o achemos longínquo e desinteressante. Como nos lembram os historiadores é de lá que vêm as revoluções que mudam tudo menos a França, é das ruas de Paris que o movimento Hippy se estrutura nas ideologias de Maio de 68 e de Pol-Pot, e é daqueles cafés que parte o movimento contra a globalização e contra o desenvolvimento da Índia e da China, que é a mesma coisa.&lt;br /&gt;Do que temos a certeza é que a França continuará a ser rica e desenvolvida com mais ou menos jovens desempregados; mas uma eventual revolução pode gerar problemas em muito lado. De facto se a liberalização do mercado de trabalho se verificar, com a passagem da lei que está em contestação, é natural que haja mais empregos menos qualificados. No entanto, se a dita lei não passar e aqueles que estão nas ruas ganharem a sua “luta”, então é muito provável que os empregos não qualificados se reduzam, mas isso não terá muito impacto nos postos de trabalho qualificados que os actuais manifestantes têm acesso. Percebe-se assim a posição dos jovens das Universidades. No fundo estão a lutar contra os jovens que querem emprego menos qualificado provenientes dos arredores das cidades e que há meses se revoltaram incendiando carros e montras. Não é assim estranho que dois terços dos jovens universitários franceses queiram ser funcionários públicos com vínculo para a vida, mas é muito provável que a maior parte dos jovens dos arredores das cidades só desejem um emprego onde possam ver compensada a sua potencial produtividade.&lt;br /&gt;Nesta perspectiva as manifestações destes últimos meses em França não são entre os jovens e o Governo mas sim entre os jovens dos centros das cidades e os jovens da periferia. Até agora o Governo e a polícia colocaram-se no meio mas não é difícil imaginar o dia em que os jovens dos arredores deixem e lançar o fogo aos carros e montras da periferia e optem por invadir as Universidades e Empresas do centro. A fronteira entre o mundo desenvolvido e o mundo subdesenvolvido não está só no Mar Mediterrâneo e na fronteira entre o México e os Estados Unidos. Está também na cerca das cidades europeias. E, das duas uma: ou se fazem políticas de integração interna consequentes e medidas pela globalização que promovam o desenvolvimento dos países mais pobres, ou estamos a manter pequenas barreiras que rapidamente podem ruir. Basta que os países deixem de ter verbas para pagar aos desempregados e tudo estará em causa. Por enquanto há destruição a partir da periferia e manifestação a partir do centro. Mas todos sabem e os governos sabem melhor que a situação tem que mudar apesar de os jovens universitários franceses não quererem. Em Portugal ainda vamos emigrando para outros locais e embora nos expulsem do Canada estamos moldados a integramo-nos em qualquer lado. O drama dos franceses é que só sabem viver em França e nas pequenas Franças insustentáveis que foram criando e vendo cair pelo mundo fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114374676768258617?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114374676768258617/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114374676768258617' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114374676768258617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114374676768258617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/03/frana.html' title='França'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114371208306276143</id><published>2006-03-30T01:47:00.000-08:00</published><updated>2006-03-30T01:48:03.076-08:00</updated><title type='text'>Abandono e Adesão</title><content type='html'>A Kairos identificou cerca de mil jovens açorianos que estão fora do sistemaescolar. Serão, em termos gerais, perto de quatro por cento dos jovens comidade para estarem no ensino obrigatório mas, se atendermos à incidênciageográfica do fenómeno, certamente chegaríamos à conclusão que esse facto temincidência grave em algumas freguesias.Entretanto, nas instalações universitárias de Angra do Heroísmo, multiplicam-seos cursos de formação ministrados por docentes exteriores à universidade. Sãocursos avançados de estatística e tratamento de dados. São cursos avançados desistemas de informação geográfica. No fundo são cursos que mexem com astecnologias da informação que os docentes tradicionais têm dificuldade deacompanhar e que os discentes sentem necessidade de conseguir. E é assim que osalunos se organizam, pedem uma sala de aula, estabelecem uma propina e solicitama prestação do formador disponível mais qualificado.Aparentemente são dois mundos à parte estes que ocorrem de um lado e outro domuro da Terra Chã. De um lado os alunos potenciais rejeitam um ensino oficialgratuito e obrigatório. Mais ao lado, outros alunos pouco mais velhos preferemnão assistir às aulas tradicionais que lhes são fornecidas pelo ensino públicoe optam por organizar e pagar cursos que lhes são úteis.Será dois mundos à parte? Talvez não. De facto, se procurarmos estabelecer o quehá de comum num e no outro começamos a perceber alguns dos erros do sistema deeducação que existe em Portugal, ao nível do ensino primário, secundário euniversitário. Na verdade de um lado e de outro há jovens e tanto uns como osoutros querem crescer e ter um bom emprego. Uns sentem que aquilo que aprendemnão lhes serve para muito e, não tendo alternativas, optam por abandonar oensino. Os outros também têm a noção do que o que aprendem no ensinotradicional lhes serve de pouco mas já têm capacidade para se organizarem epagarem um ensino mais útil.Deste ponto de vista o que está mal não são os jovens que abandonam o sistema deensino ou os outros que menosprezam o ensino oficial para mobilizarem um ensinoútil. O que está mal é, obviamente, o sistema de ensino que temos, que baseia asua oferta na capacidade limitada de ministrar conhecimentos consideradosinúteis para muitos alunos. É verdade que o Estado tem vindo a estabelecer viasalternativas de ensino com escolas secundárias ou profissionais e com todo otipo de cursos e universidades. Mas esquece-se de que ao lado de cada quadroestá sempre um qualquer vinculado e este está pouco interessado em aprender eministrar os ensinamentos que o aluno procura e prefere repetir a redundânciade compêndios que já estão na internet. Talvez valha a pena a Kairos fazer umoutro estudo. Por exemplo contar as histórias de sucesso dos jovens queabandonaram o sistema de ensino. Talvez essas histórias nos explicitem as boasescolas da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114371208306276143?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114371208306276143/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114371208306276143' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114371208306276143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114371208306276143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/03/abandono-e-adeso.html' title='Abandono e Adesão'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114355210966731675</id><published>2006-03-28T05:21:00.000-08:00</published><updated>2006-03-28T05:21:49.680-08:00</updated><title type='text'>Blogosfera</title><content type='html'>Hoje convidaram-me para uma entrevista na RTP-A sobre a blogosfera. Um conjunto enorme de páginas pessoais na Internet onde cada um pode colocar textos e imagens a seu belo prazer e receber comentários a esses textos e imagens. Falei com o Félix Rodrigues que, embora trabalhe aqui ao lado em Angra do Heroísmo, tem um dos dez melhores blogs do Brasil ( &lt;a href="http://desambientado.blogspot.com/"&gt;http://desambientado.blogspot.com/&lt;/a&gt; ). E o contacto foi magnífico não só porque consegui uma série de ideias para a entrevista mas também porque rapidamente o Félix Rodrigues me criou um blog com o nome de “Homem do Porto” ( &lt;a href="http://ohomemdoporto.blogspot.com/"&gt;http://ohomemdoporto.blogspot.com/&lt;/a&gt; ) onde irei colocando alguns dos textos que publico na União.&lt;br /&gt;A característica fundamental de um Blog é que o autor é o próprio editor, ao contrário do que acontece com nos jornais, nas rádios, nas televisões e nas revistas. O espantoso é que, talvez por causa disso, os leitores parecem ter mais confiança nas notícias dadas pelos blogs do que nos factos revelados pelos órgãos de comunicação tradicionais. Certamente há blogs que têm como único leitor o próprio autor mas há outros que são um sucesso. Numas contas rápidas o Félix Rodrigues disse-nos que, em média, tem mil e duzentos leitores por cada artigo, o que é certamente muito superior à média de leitores dos artigos de opinião publicados em muitos jornais regionais e nacionais. É verdade que a tiragem dos jornais é maior da que a dos melhores blogs mas nada garante que as colunas de opinião desses jornais sejam lidas por todos os que adquirem o jornal.&lt;br /&gt;Várias questões se podem colocar em torno deste fenómeno relativamente recente da sociedade da informação. Será que há concorrência ou complementaridade entre a blogosfera e a comunicação social? Se houver complementaridade como é que ela se consubstancia? Será que a blogosfera se vai estruturar em novos meios de comunicação social e se dará a passagem dos blogs mais importantes para jornais digitais? E, finalmente, qual a reacção do poder político e económico a esta nova transformação?&lt;br /&gt;Comecemos pelo fim. Creio que a blogosfera não vai mudar muito. Isto porque, afinal de contas, os nossos mecanismos de decisão e poder continuam a estar na mão de quem os detém às diversas escalas. Para além do mais tudo isso é condicionado à resiliência da própria realidade. Ou seja, o que provavelmente acontecerá é que os blogs mais importantes vão passar a ser jornais digitais e que uma grande parte destes passarão a ser editados por jornais, revistas, rádios e televisões tradicionais. Ao fim e ao cabo há complementaridade entre os meios de comunicação social e a blogosfera e aquilo que não é complementar passa a ser tido como mero correio electrónico ou um grunhido escrito do messenger. É claro que a criatividade e qualidade dos jornais e das rádios poderá aumentar com a pulverização de jornalistas. Essa será, talvez, um dos principais impactos. Todos poderão ser jornalistas e a pressão passa a estar nos editores que seleccionam as notícias para os meios de comunicação de massa onde o poder se continua a rever e a ser. Talvez não seja assim mas os blogs sem o real são só blogs.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114355210966731675?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114355210966731675/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114355210966731675' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114355210966731675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114355210966731675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/03/blogosfera.html' title='Blogosfera'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114354765906498293</id><published>2006-03-28T04:02:00.000-08:00</published><updated>2006-03-28T04:07:39.073-08:00</updated><title type='text'>Soibada</title><content type='html'>Nenhum caminho vai dar a Soibada. Mesmo a estrada que supostamente chega até lá é cortada por um rio que impede o atravessamento de viaturas em dias mais chuvosos. A professora de português que semanalmente chega de Manatuto fica na aldeia antes do rio para dar as suas aulas a cinco quilómetros do destino que não é. De Manatuto, na costa norte, são três horas de jeep para fazer menos de quarenta quilómetros. A Natarbora, na costa sul, só é possível passar se fizermos duas horas para trás e tomarmos outro caminho para sul.&lt;br /&gt;No entanto, apesar desse isolamento, Soibada é e continua a ser o centro histórico da cultura timorense. Isto apesar das inúmeras vicissitudes por que passou ao longo da história. A expulsão dos Jesuítas no tempo Marquês de Pombal, as perseguições à Igreja na sequência do liberalismo e da República, as guerras com holandeses, australianos, japoneses e indonésios, e o esquecimento estranho de muitas cooperações. Foi ali que esteve a primeira escola superior de Timor até ao fim da Segunda Guerra Mundial com um seminário e uma escola de formação de professores/catequistas. Em 2004 o Governo de Timor teve a possibilidade de celebrar o centenário daquele centro histórico da cultura timorense e assim se fez a festa e se construíram casas tradicionais de Timor, agora meio esquecidas, para receber por alguns dias o Governo e a Presidência da República de Timor.&lt;br /&gt;Fui até lá no sábado de manhã numa pequena scooter. Até Manatuto a única preocupação foi o controle do combustível que tinha esgotado em Díli. Depois o percurso era mais imprevisto apesar das indicações que fui recebendo aqui e além. De cruzamento em cruzamento a estrada vai piorando e sempre subindo até Lafuliu onde havia casamento e dança. Depois o céu começa a escurecer com as nuvens da tarde e as descidas e subidas tornam-se mais pedregosas e inclinadas. Por fim chega-se ao rio, pede-se ajuda para passar com a motorizada e continua-se por mais uns quilómetros de estrada má até Soibada. Uma Igreja, a casa do padre onde fiquei alojado, um lar em funcionamento para raparigas, um espaço à espera do lar masculino, um espaço largo para futebol e basquetebol, algumas casas dispersas e o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Airada no cimo do monte com uma escadaria à moda do Sameiro e uma vista soberba. Subia-a debaixo da simpatia do primeiro guarda-chuva. E foi lá em cima que percebi a diferença do sítio na similitude com a imagem de uma Missão dos Jesuítas no Paraguai. Cânticos magníficos e diferentes dos mais aportuguesados dos templos de Díli, a Igreja cheia, e uma homilia cheia de autoridade, força e sentido político. Depois foram nove horas de sono, um nascer do sol esplêndido, mais uma missa de Domingo, a intenção de um projecto para o lar masculino, uma promessa de aviso para a necessidade de livros e um vislumbre fugidio de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114354765906498293?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114354765906498293/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114354765906498293' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114354765906498293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114354765906498293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/03/soibada.html' title='Soibada'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24895965.post-114354276660965136</id><published>2006-03-28T02:42:00.000-08:00</published><updated>2006-03-28T02:46:06.630-08:00</updated><title type='text'>Apresentação do Homem do Porto</title><content type='html'>Neste blog pretende-se registar ou .................&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24895965-114354276660965136?l=ohomemdoporto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/feeds/114354276660965136/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24895965&amp;postID=114354276660965136' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114354276660965136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24895965/posts/default/114354276660965136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ohomemdoporto.blogspot.com/2006/03/apresentao-do-homem-do-porto.html' title='Apresentação do Homem do Porto'/><author><name>O Homem do Porto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07849785654148578901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
